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AMOR PROIBIDO

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Nada mais fascinante do que uma amor proibido.  Já vem com apelos, guarda mistérios, chega envolto em magias.  Vem acompanhado de luxúria, erotismo. É o amor mais excitante que conheço.  Tira a cabeça do prumo, perde o rumo, vira obstinação. Porque com ele nasce o pecado que estava ali pedindo para ser cometido. Sobrepõe-se. Todas as resistências vão sendo minadas. Tem um sabor diferente o dobro da adrenalina e a certeza que é só seu. Não pode dividir com ninguém. Talvez a melhor amiga, mas nem sempre.  Calar é a melhor parte. A cabeça é invadida, o corpo sente calafrios só de pensar, você sorri sozinha, canta músicas que ninguém ouve, elas ficam ali dançando na memória, e desfoca do mundo real. Nada interessa muito, a não ser aquele nome, que você escreve sem parar, em papéis ou nas telas do filme que está vendo. O personagem, diz uma frase e ali está ele, mesmo que tenha nada a ver, você acha, identifica, repete a frase, baixinho, ou escreve para não esquecer. As músicas viram trilhas, às vezes uma única palavra, faz com que você se transporte e o sorriso vem logo acompanhar. Uma pessoa está lhe contando uma história seja qual for, pode ser até uma tragédia ou drama pessoal, e você de repente diz alguma coisa sem nenhum sentido. Alheia. Fica assim, alheia, procurando o eixo que só encontra quando vê na sua frente o tal amor proibido. Do qual ninguém faz parte, é seu segredo, é seu abrigo, é seu oásis. Floresce ali clandestino dentro de você.

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O orgasmo é mais intenso, pode verificar, existe o medo que possa ser o último. Todo dia tem gosto de aflição, de esperança, de ilusão, de perdição. Tem gosto de cinismo, tem gosto de barco chegando, de avião partindo, de culpa e vitória.

As horas ficam intermináveis, minutos, segundos, olhar preso no relógio, contagem regressiva. O telefone faz parte de seu ser, dele não se separa. Pode tocar e você não ouvir, pode entrar uma mensagem e você não perceber, pode perder aquele segundo de êxtase. Mobilidade integral. E criam-se códigos para se comunicar.  Adoro essa parte. Sinto-me Marta Hari. A famosa espiã. Nesses tempos de internet ficou mais fácil, às vezes basta um símbolo, e está dado o recado. À proporção que vai se estendendo, a coisa só tende a piorar. Se estiver em casa, aquela casa já não é mais sua, fica estranha, porque você não mora mais ali. Mora numa ilha deserta, rodeada de paisagens esplêndidas, pássaros que cantam  com céu de  luz , cheio de cor. Sem marolas sem nuvens e não importa a situação, o paraíso é ali. Numa mesa de bar, num colchão no chão, numa beira de calçada, num motel luxuoso, numa pensão de quinta categoria, ou em Paris.18301539_10213010500367154_365450763872986768_n

Se um dos dois tiver outro relacionamento, existe ciúme, desespero, saudade, mas o “outro” é ignorado assim que aquela porta se fecha e fingem que nada mais existe. Porque três será demais e inconcebível. Seria invasão.

Por ser proibido a privacidade se faz necessária, para que perder tempo com sentimentos que não lhe pertencem? É preciso ter manha, é preciso uma entrega mesmo temporária é preciso morrer a cada despedida, mesmo que o novo encontro seja daqui a algumas horas. Essa trégua jamais estará vazia.

Há um fio condutor sempre, mesmo que haja distância geográfica. Acontece.

A gente fica andando pelas ruas, pensando que àquela hora ele também estará pisando outras calçadas, vendo outro mundo, mergulhando em outro oceano olhando outras mulheres, que não lhe causam ciúme, porque em cada rosto terá um traço seu.  Outros você também enxergará que nada lhe dirão. Nenhum vai lhe olhar como ele. Aquele olhar está preso dentro do seu. Imaginação.    O amor proibido se alimenta de imaginação. É cancelar a realidade. E como isso faz bem.

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Não existe preconceito, não pode existir muito pensar, anule-se o certo e o errado. O certo é apenas viver essa história que vocês dois inventaram e não sabem nem bem por que. Pode ter sido apenas num olhar, num encontro de mãos, numa palavra dita com precisão, num abraço casual, num golpe de admiração, num sorriso cheio de malícia, que veio ao encontro de sua insatisfação. Tinha febre guardada, tédio escondido, ânsia de fantasias, delírios e loucura que procurava um par.

O amor proibido você até sabe vai lhe cobrar o preço da espera, da dúvida, da angústia de tanto querer.  Você vai ignorar todos esses sinais, vai mergulhar nessa tentação. Cada minuto vai valer a pena e jamais se perdoará se não tentar. Além de proibido, se tornará mal resolvido e com isso é bem mais difícil de viver. Melhor pagar o preço, a emoção agradece por ter sido acionada e embalada nesse desatino.

A história está repleta de amores assim: Romeu e Julieta é mais romântica delas, Wallis Simpson e Eduardo VIII-Meu Reino por Um Amor- fez tremer a Inglaterra- na literatura, Capitu e Bentinho, na lenda de Lancelot e Guinevere que incendiou a Corte do Rei Arthur. No cinema Casablanca que nos faz desejar até hoje que Elsie nunca tivesse entrado naquele avião, deixando Rick naquela neblina.  Nós sempre teremos Paris resume uma triste despedida.  Ou Pretty Woman, que teve nossa torcida para aquela garota de programa, ficar com seu príncipe encantado. Ficou… E todas nos sentimos princesas.

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Mas vamos para tempos modernos.  Recentemente tomamos conhecimento do mais forte desses fascinantes romances, que deslumbra o mundo nesse momento. O do Presidente francês e sua professora mais velha.  Macron e Brigitte amargaram a espera, mas decidiram pela coragem. Esse é o perigoso amor, que começou na cabeça. Ela sequestrou a dele, e ponto final. Buscaram sua fantasia e de proibido passou a ser permitido, exemplo que no amor as barreiras podem ser derrubadas, basta haver verdade, força e vontade.

Muitas vezes um amor que tem inicio numa sedução imensa, acha seu caminho, virando a página da vida. O amor não vem com bula, nem manual, se vale a pena monte o seu.

Antes de tudo, porém, esse amor precisa ser altruísta, que os amantes riam dos problemas, que o drama seja evitado, que sobre delírios, cumplicidade e alegria de viver, sem prazo de inicio nem fim.  Afinal se fosse para ser medíocre, não precisava de tanta tenacidade e tanto desejo amordaçado.

Todas nós já sentimos uma vez esse gosto único. Eu já tive muitos amores proibidos, na ficção quando representei (Engraçadinha e ABC do Amor) e na vida real. Quase todos se tornaram permitidos, modificaram minha vida, tive que fazer opções, porque tenho essa mania de ser inteira. Mas claro que existiram exceções. Alguns deixei pelo caminho. Já chegaram com prazo de validade.

 

Uma rebelde não estaria completa se não sentisse atração pelo proibido ou impossível. Precisa acordar diariamente com um desafio, uma bandeira na mão, que vai desfraldar antes mesmo de escovar os dentes, antes do primeiro gole de café, antes de abrir as cortinas do quarto escuro, antes de colocar lenha naquela causa que vai virar sua fogueira, aonde vai por livre e espontânea vontade arder.

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E se seu amor proibido passou para a coluna do permitido, cuide dele, não esqueça quantos porres tomou, quantos noites ficou sem dormir, como se questionou, como foi buscar coragem para encarar, por quantas provas passou, até resolver pular aquela ponte de mãos dadas, simplesmente porque concluiu que sem ele não poderia mais viver.

Porém se sua história não teve um final feliz, guarde-a muito bem, confesse que viveu. Vai beber mais um pouco, chorar pelos cantos, alugar uma amiga, sentir a vida morna, morrer de saudades. Vira memória. Vira crônica, vira conto, vira poesia, vira música. Nada é para sempre.

Até esbarrar em outro homem que seja competente, paciente ou simplesmente tão encantador que lhe desmonte de novo e não seja proibido, por favor, de preferência.   Precisa-se de intervalos porque lembrando o poeta, o coração não é de ferro, e não aguenta sangrar todos os dias.

Tire as correntes daquele amor proibido, entenda que a liberdade procura espaços e guarde-o na memória que com muita imaginação criou uma realidade profunda. Que foi só sua, seu mistério, seu segredo, seu Santo Graal.

 

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SOBRE O QUERER

15241362_10207581258038766_2793101849259251033_nNão quero mais falar de fundamentalistas, de terroristas, de fanáticos que aterrorizam o mundo com certezas espúrias, dos que antecipam os tempos de medo, dos invisíveis dizimados sem dó nem piedade, dos degolados por bárbaros em frente às câmeras de TV, do mundo com valores invertidos, de religiões que geram atraso, de pessoas que fazem da crueldade seu meio de vida, de canalhas que se vestem de mentiras o tempo todo, de pessoas e mentes tão atrofiadas que acham por bem acreditar, por preguiça de pensar e assim contaminam multidões; de uma humanidade cada dia mais frágil e insolente, e alheia. Dos que se dedicam a teorias de conspiração, dos pais que geram filhos para depois assassinar cruelmente, de mediocridades irritantes, de preconceitos que não se derrubam… Daqueles que julgam o próximo como se fossem deuses puros; de retrocessos na sua história perdida e na história que deixaram de construir por egoísmo, incompetência, prepotência e inveja… Dos acomodados, dos covardes dos que ficam em cima do muro, os que não honram a vida como presente, dos que desprezam uma dádiva chamada sentimento.  Dos sem tolerância e dos que toleram demais por inércia, dos que não têm, dos que fingem ter, dos que ridicularizam quem tem.

Transformaram o coração em ferro, pedra, lixo descartável.

Cansada de discordar, também não concordo. Fico assim, um vulcão prestes a explodir, mas que explode no meio do meu coração, das minhas entranhas, das minhas tripas, no meu cérebro que procura diariamente acordos para manter a sanidade.

Isso tudo Não Quero!       Quero ir seguindo o que me resta de amanhecer, quero anoitecer sem culpa, com a cabeça deitada no meu travesseiro ortopédico para salvar o pescoço, com a consciência leve.

Quero acordar e me achar bonita mesmo que enxergue rugas. Quero ter lindas viagens dentro de mim, fazendo uma ciranda com os que amo.crie-lacos-com-as-pessoas

Quero os meus prazeres, todos os que meus desejos apontar. Quero limites, respeito, me encantar com poesias músicas e pessoas do bem. Quero me surpreender com admiração pelos que estão em sintonia com os valores que somam.

Quero enxergar e conseguir sentimentos delicados que embelezam e amenizam o insuportável para mim.

Quero os diferentes que se levantam todo dia com vontade de transformar. Qualquer detalhe… Os desarmados, os que perdoam e são perdoados, não por cansaço, mas por merecimento. Quero um amigo que perceba, porque simplesmente está atento.

Quero os que não humilham, porque essa é uma atitude desprezível. Todo ser humano merece respeito.

Quero os que saibam as diferenças, os que promovam mudanças, os que possuem o mesmo olhar, o mais lindo de todos que é o da Generosidade.

Quero um mundo onde esses se encontrem e se reconheçam.

Talvez esses meus quereres sejam utópicos, mas são os que habitam em mim.

Quando o coração transborda a língua fala. Quixotescamente me divido em total inquietação.

“Mudar o mundo meu amigo Sancho, não é Loucura, não é Utopia, é Justiça”. 

*camiseta-estampa-dom-quixote-e-sancho-panca-D_NQ_NP_11761-MLB20049227914_022014-OCervantes.

 

MANIA DE CASAR

                                                         

Manias são manias…  Não se explica.  Uma das minhas é casar.

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Não perguntem por que. Não encontrei resposta até hoje.  Seguia a vida me apaixonando e achando que valia a pena dividir o pão nosso de cada dia, o colchão da cama king -size, a casa florida, o drinque da noite, as ideias compartilhadas na intimidade total, a cumplicidade, a preguiça matinal e a delicia de encontrar logo ali, bem do lado um gostoso bom dia. Muitas vezes, um sexo revigorante antes do café da manhã. Antes da praia, antes do trabalho nada deixa uma pessoa mais motivada. O dia nasce mesmo feliz.    E todos os meus maridos foram devidamente amados e me amaram muito bem.  Até o dia que o cotidiano ou o ciúme ia arruinando os momentos.  O casamento, ou qualquer relação não vem com anulação de vida própria, de liberdade, de abrir mão de ser quem você é.  Aí é que pega. Ou se garante e segura seu homem sem ataques constantes, ou dança.   Serve para os dois lados. Cuidar. Palavra chave. Bom humor, sorrir junto, ter prazer na volta para casa. Iluminar cada dia mesmo os mais sombrios, com atitudes e palavras doces. Um quebra pau está inserido vez em quando e se necessário. Faz parte de qualquer proximidade maior. Brigamos com os amigos, a família, discordamos ninguém é vaca de presépio. Mas tente-se manter o limite. Qualquer ultrapassagem é a ruína.  As palavras duras e cruéis ficam. Não se pode retira-las. Vai se formando o famoso pote de mágoas. Que um dia explode. Inimigos já temos ao redor, não precisamos dormir com eles.noivos-melhor-lista

Mas confesso que já dormi. Equívocos também não estão descartados. E dentro de um casamento, fica mais difícil resolver. Sempre soube disso, mas não hesitava em casar. Queria essa emoção que concordem é grande. Casei todas as vezes que achava o homem sem o qual pensava que não poderia sobreviver. É sempre assim. A gente pensa que dessa vez será para sempre.

Casei e descasei seis vezes, se está mesmo certa essa conta. Nunca fui santa e entre gueixa e guerrilheira concordo que não era fácil para eles. Minha intensidade era complicada, acompanhar minhas invenções, minha sede de vida, minhas indagações, uma roda contínua de alegria que os deixava tontos. Mas ser infeliz nunca esteve na minha dieta.

Então, era assim: estou infeliz, não fico. Arrumavam-se as malas e com aviso prévio, sempre dei aviso prévio, era justo, porém no dia do basta eu decidia.  Era chegada a hora de mais uma partida.basggg

Tive todas as personalidades. O chique colecionador, o lorde socialite, o publicitário genial, o jogador Bon  vivant, o economista lindíssimo porem bipolar, e o publicitário romântico por excelência. Não nessa ordem. Então tem uma preferência aí notaram? Dois economistas e dois publicitários. Nenhum ator. Não casei com nenhum ator, fiquei no “quase” com Gláucio Gill que morreu antes de nos casarmos. Mas namorei alguns.  Talvez por ter deixado a carreira cedo, não aconteceu.  Ficaram no palco do romance apenas. Mas como essa memória quase desmemoriada não é uma deleção premiada, para usar a palavra mais recorrente nesse momento, não citarei nomes. Saber amar também é uma forma de arte. É como colocar uma venda e ser levada para um mundo só seu. Onde tudo é perdoado e tudo é permitido. Onde todas as cores têm mais intensidade e todas as palavras ganham muita profundidade.

A gente consegue ficar impermeável, absoluta, única e sente no estomago frios inexplicáveis, no coração a pulsação incontrolável e no corpo o desejo que será sempre maior do que tudo. Maior do que qualquer razão, maior do que o medo que será transformado em um furacão, uma tempestade, um terremoto, uma invasão. O Amor é devastador e nos coloca na lona, no tatame, no limbo, no paraíso, no céu ou no inferno e pior de tudo sem que a gente perceba ou se incomode. Rouba todos os nossos sentidos. É o princípio o meio e o fim. E acreditem, é o único sentimento maior que o ódio. Enquanto vivo vence e seremos vitoriosos.

Uma arma letal. Que sempre foi a que me levou para o altar.

 

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A HORA DE SEPARAR

O   que acabei concluindo depois desses casamentos todos é que sou libertária ou libertina. Conheço um homem, me apaixono e caso. Se me desapaixono, se a vida leva meu coração para outros sentimentos separo. Para que entendam melhor, me recuso a ficar ali, me tornando amarga, obesa, feia destilando ódio e espalhando infelicidade. Desde cedo aprendi que não vale a pena ser infeliz e não tem dinheiro que pague. Tempo é uma moeda cara.
E fico orgulhosa de mim, por ter conseguido preservar minha inocência, minha essência, sentir o peito arder de novo, o corpo pedir outro corpo, outro cheiro, outra emoção. Não sou capaz de manter um amor aceso, ao lado de quem não me deixa ser alegre e plena. Fazendo pior, por não aguentar, começa a minar. Estou fora. O sinal de alerta acende logo e começo a ficar indiferente, a dar muxoxos a salgar a comida. Meu jeito de proteger a menina que sou e como tal, se infeliz, faço malcriação. E sabe por quê? Porque essa menina é o que tenho de melhor e ela não pode morrer. Senão a exuberante, a animada, a curiosa, romântica, intensa, fodona, essas todas que invento na cabeça, vira abóbora. Precisa acreditar, para escapar .14720379_694657134031643_4909439236705237950_n
Ou aguenta minha angústia em busca da felicidade, me ouve nos momentos certos e precisos com atenção e interesse, tentando me desvendar, ou fica onde está. Não vai me alcançar, então para de fingir, que vou parar também. Meu coração é terra que ninguém pisa… Tem que deslizar com cuidado. Eu o entreguei a você com as duas mãos, inteiro, fui inteira, porque é assim que deve ser. Cumplicidade, trocas. É assim que funciono. Apaixono-me, cuido, inspiro, fico inspirada, o olho acorda brilhante, dois faróis, a pele boa, o riso do nada, acho graça em fingir obedecer, até obedeço. Deixo que roube meu lençol, meu travesseiro de estimação, aturo seu porre, fico bêbada de insanidade.
Aconselho inclusive a que se apaixonem, é uma preciosa adrenalina.
Não confisco suas asas, amo ou aguento seus filhos, vou a jantares chatos, cativo seus quereres, vou ler enquanto você grita diante da TV vendo seu time ganhar ou perder. Viro a casaca, escondo a bandeira do flamengo, o verde e rosa da mangueira, embarco na sua, porque isso vai lhe fazer feliz e para mim, é tão pouco.
Mas por favor, não tenha por defeito competir comigo, por ousadia achar que mudará meus conceitos e opiniões, me convencer que ser machista é normal, não me venha chamar nenhuma mulher de puta, nem minhas amigas, nem mesmo as que não conhece, fico louca.
Não me julgue, não me acuse ,não me imponha porque não farei nada disso com você Me convença. Com argumentos inteligentes por gentileza. Se dormir com outra mulher, não me conte só se for importante. Seja gentil com meus amores, me olhe como se fosse única, me respeite sempre.
Estamos num casamento, lembra? E é assim que as relações podem sobreviver ao cotidiano que vamos ser honestos, é um veneno. Mas é preciso que você entenda que se sou sua, estou marcada num espaço com limites, mas não posso perder a sensação de que posso voar.
E se tudo isso for pouco, então meu amor, não pense que vai ficar ali, me vendo murchar, calar, me encolher com medo de lhe perder. Nesse ponto, já lhe perdi. Já sofri aos bocadinhos, já dei o tempo que se precisa, me devastei, me desencantei, sinalizei, exerci a santa paciência de todo final e tendo certeza que naquela casa não mora mais um casal e sim dois pacíficos inimigos íntimos, fique certo que vou abrir meu paraquedas de emergência e quando você perceber, já estarei aterrissando em outra praia. Não me prenderei por limites acenados pelo medo. Sou comprometida com a vida.shutterstock_103611308
Porque eu tenho certeza, que a qualquer momento o sol virá me beijar e eu vou voltar a gostar de mim, quando inspirada pela sensação de liberdade, estarei recolhendo os pedaços do amor que ficou, guardando na memória tudo que foi bom, arquivando as fotos, ouvindo as canções, chorando porque faz parte, fazendo das lembranças apenas um lugar seguro. Depois vou fazer o que eu há de melhor nesse intervalo: sair com as amigas para beber seja lá o que for, ver todos os filmes que perdi porque estava ocupada lhe fazendo feliz, ler todos os livros que larguei pela metade, dormir com os homens que me despertam desejo, sem culpa, escrever sem censura, animando outras mulheres, aquelas que estão abertas querendo o jogo da vida, que quebraram as asas e estão ali a olhar, tristemente sem saber o que fazer. Essas mulheres, minhas amigas ou não, talvez leitoras apenas, ficarão contentes. Ao saber que existem outras soltas pelo mundo, libertas do fel, a procura de um novo pote de mel, e que ele existe em algum lugar. Alegres porque novamente voltou para sua casa que é dentro de si mesma. Escapou, reagiu a sabotagem. Enxergou o limite e resolveu tomar as rédeas de seu destino. Não se deixou afogar, navegou procurando novos horizontes.
A hora da partida é mesmo uma escolha que deixa marcas, rosto molhado, dias nebulosos.
Sangramos por dentro.10374854_1300475633301465_5857753486142853531_n
Mas encontramos pelo caminho, o bando dos desesperados, que nos certifica que não estamos sozinhos. Nossa vulnerabilidade recebe apoio, vida segue e o tempo se encarrega de ir apagando os vestígios. Abandonou-se a trincheira para manter a sanidade.
Minhas decisões drásticas, sempre foram em nome do Amor. Confuso? Sei que é, mas veja bem, quando declaro isso, já não havia nenhum traço desse amor que nos faz ver as cores do mundo. Havia sim, um bolo na garganta, um silêncio ensurdecedor, um desalento. Um desamparo, um convívio com a amargura. Um sorriso forçado, um gozo fingido. Na casa antes tão alegre, reina a discórdia. Então fico assim, refazendo cada canto meu,a memoria remendando, bordando, com total controle do meu tempo, as voltas com meus inventos vou cancelando os arrependimentos, até que numa festa alguém me tire de novo para dançar. Já refeita, vou dançar até o sapato pedir para parar.*

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