PAIXÃO INVENTADA

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Tem pessoas que vivem movidas pela paixão. Talvez uma droga de escolha. Paixão pelo trabalho, por um projeto, por causas, por pessoas, uma pessoa, viagens, pela VIDA

Um excelente aditivo. E se você não tem, está num momento de baixa, Invente! Vale! Vale a pena. Em cima disso, crie se estimule, parta. Essa história de Carolina, já passou… Lembre-se que o tempo é a única coisa que se ganha e se perde todos os dias. Sem retorno. Cura, mas adoece… Se ficar alheio, olhando um vazio, sem provocar mudanças… Seja proativa e crie seus desafios. Para enfrentar claro. Acorde acreditando e durma de alma lavada. Elimine o que lhe incomoda.

Não é fácil? Mas quem disse que seria? Porem se aquela pedrinha continua ali no sapato, machucando, mesmo que seja um Louboutin, descalce e esqueça o preço que pagou. Ponha uma havaiana, deixa o pé repousar. Ou fique descalça e ache mecanismos para colher mais energia. O meu já disse, é colocar na areia, de preferência da praia, perto do mar sempre me refaço. Algum elemento da natureza será com certeza seu escape. Escale uma montanha, faça uma trilha, pise na grama, ande de bicicleta, monte num cavalo. Olhar voltado para o mundo ao seu redor. Praia, montanha ou fazenda, a escolha é sua. E esse contato é um excelente bálsamo quando a alma grita por calma. Tente, experimente, é tudo de graça. É depois me diga: não voltou nova?

A cabeça… É isso que estou querendo dizer… Aí é que começa tudo. Portanto, jogue seu coração, mas preserve o impulso- e esse é sua cabeça que aciona.

Preste atenção as suas intuições, mesmo que elas naquele momento sejam contra o que você está sonhando. E nós mulheres, somos sim presenteadas com a famosa intuição. Não passe batido, vai se arrepender depois. E por mais errada que ela possa estar (a intuição) você, se não a descartar ganha. No minimo vai separar seu joio do trigo. Lembre-se que vazia, inventou uma história para viver… Aquela paixão. Um dia dará certo. Tentativas, SEMPRE! Portanto se esse projeto era fruto de uma aflição, aborte. Seja criativa, invente outro.

Mas pera lá… Calma, não se assuste, nem todo mundo pode ficar o tempo todo ligada numa tomada de 220 volts.Tem o dia do NÃO. Chamo assim aquele dia que você acorda com vontade de fazer NADA. Porque tudo deu errado. Permita-se. Durma até tarde, fique jogada numa poltrona lendo seus livros já lidos, vendo seus filmes já vistos, e guarde o relógio. Sabe aquele dia que você não tem vontade de falar com ninguém? Nem com sua melhor amiga? Não fale. Fique com você, faxina mental, faxina na casa também ajuda.

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Arrume suas gavetas, releia antigas cartas, veja fotos há muito guardadas, releia cartas de amor, se as tiver guardado. Tomara que sim.. Caíram em desuso mas como dizia o poeta… “todas as cartas de amor são ridículas”… E você vai se sentir ridícula. Existe um delay… Entre o que se escreveu e o momento depois.Mas no dia do “NÃO” você também pode escolher sair. Uma sessão da tarde, ver aquele filme que andava programando há tanto tempo num cinema vazio. Um saco de pipoca, uma Coca-Cola… O que? Coca-Cola faz mal? Deixa de ser chata menina! No dia do NÃO pode, pode tudo!E de quebra um chocolate na bolsa.

Pronto! Vai sair cheia de sonhos na cabeça, analisando o filme sozinha.

Talvez tenha mudado naquele momento alguma coisa lá dentro de você. Cinema. Magia. E quem sabe, surja aquela certeza pela paixão buscada? É assim, a vida se faz assim. Sobrevivendo a cada dia.

 

Evite o drama vai por mim, melhor sempre ficar com a piada. Bom humor faz bem a pele.

Mas… Se o drama for inevitável, caia dentro.

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Tá doendo muito? Grite! Se descabele, chore, beba um whisky, uma caipirinha, fume um cigarro, xingue!

Tem que ter o clima “noir”. E se não bastar mande pra puta que pariu; um foda-se bem dito para alguém, com todas as letras e de preferência alto.

FO-DA-SE! Ai que alivio

Mas eu estava falando mesmo de que? Ah! Paixões inventadas.

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Então, já caminhei na praia, já andei de bike

e, escalei uma montanha, dei a volta na Lagoa, acenei para o “CARA” ( O Cristo  Redentor meu amigo)meditei, refleti, fui ao cinema, comi pipoca. Voltei pra casa, sentei, escrevi um bocado, ouvi uma música escolhida a dedo. Qual foi? Conto não. Até porque são muitas. Sou movida. Já arrumei as gavetas, reli os escritos, viajei até aquela paixão antiga. Ah tá! Tem razão, fui olhar seu retrato. Era mesmo lindo .Abri uma garrafa de vinho, vou fumar um cigarro normal, maconha não, não faz minha cabeça.E essa música… Doendo assim… Filho da puta devolve meu sonho!

Já criei asas de novo, pronta para levantar um novo voo. Inventar outra paixão novinha, que vai acordar comigo no dia do SIM.

Feche os olhos e busque aquela emoção perdida. Sabe onde está? Lá dentro de sua cabeça. Porque na boca estará seu coração.

 

 

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ORGASMOS MÚLTIPLOS

 

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ORGASMOS MULTIPLOS

Existe uma enorme discussão a respeito desse tema. Estudo, teses, analise e censos. Orgasmo, orgasmo  clintoniano  e inventaram o tal ponto G.

As mulheres se preocupam, algumas se frustram,  desesperam. Todas querem atingir, claro.

A porcentagem concluída nos relatórios diversos, de médicos, sexólogos e afins é grande. Assim as que não  gozam dentro daquele estudo publicado ficam infelizes, desanimadas, amargas, frustradas.

Ok. Vamos falar abertamente sobre isso? Os homens não são questionados, já que  o orgasmo deles é evidente. Ou não. Caso encerrado.

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Então mulher, pare de procurar o ponto G. No máximo use essa  expressão para fazer seu homem feliz:

Você atingiu meu ponto G. Nossa, vai deixar ele sem dormir e  dar assunto para seu próximo encontro com os amigos numa mesa de bar.

O ponto G vou lhes revelar: está na cabeça. Se ele chegou até lá, é vencedor e merece ouvir a frase.

Todas nós temos orgasmos…. Todas, faço uma ressalva, que  não separam o sexo de outros sentimentos, que não o rotulam preconceituosamente. Tá na pele, na nuca, na boca, no olhar. Tá naquela mão que sabe pegar, naquela decisão que ousou. Nas atitudes, na sensibilidade, no tesão de viver. Numa palavra dita, no brilho de um sorriso, numa troca que lhe fascinou.  Na rapidez de um homem encantador…. Na inteligência, na resposta certa, na disposição e interesse de conquistar.

Tudo isso já aconteceu antes de chegar até a cama. Lá deixe por conta do desejo… Ah sim esse é o importante detonador. Relaxe. Se  ele errar, ensine o caminho. Diga para ele como é seu jeito de chegar.

Descubra os pontos dele… Ele também tem  escondido, seu ponto G que precisa ser estimulado. Fantasia, carinho,  romance. Naquele momento, deve se sentir especial…. Único, ardentemente desejado. Mentiras sinceras também valem. E principalmente, uma mulher com muita vontade de ser possuída naquele momento. Nada mais erótico que a entrega. Sexo é para dois. E quando está em questão, não vejo nenhuma complicação. É tesão, cheiro, toques e gosto. Doce ou salgado, de suor, de perfume,  de viagem. Uma enzima que o corpo produz, a alma recebe ,a tentação dá conta.

Sem  discursos moralistas,  sem cobranças.

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Apenas um curto circuito difícil de evitar. Simples assim.

Um coração disparado, um abandono e uma emoção tão intensa que todo mundo precisa e deve ter.

Ninguém nasce incapacitado para o amor. E não acredito que alguém consiga  passar batido.

É tão importante quanto comer, beber água, respirar. É transformador.  Uma das melhores coisas do mundo. SEXO…. Simmm!Tão bom quanto um sorvete de mangaba, uma tapioca bem quentinha,  dar um mergulho no mar,   um filme bom, um livro fascinante, ver a Torre Eiffel   pela primeira vez, beijo na boca no escuro do cinema,   entrar em Veneza  e chorar ao avistar a piazza San Marco, ouvir aquela voz bem de perto, muito perto, ao alcance de sua mão murmurando palavras cheias de faíscas obscenas.

Faça você sua lista. Esqueçam todas as estatísticas e se você tiver um orgasmo do jeito que for, fique feliz. O homem com quem você estiver na cama, vai esperar de você calor, uma fêmea  no êxtase, sensual, arrepiante, um misto de cio e ternura.  Um golpe quase fatal. Depois dessa confusão  surreal  e indescritível escolha  aonde buscar seu orgasmo. Porque ele minha amiga, já gozou mil vezes sentindo-se único.

 

 

 

 

 

DIA DE COMEMORAR… DIA DE OCUPAR.

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Para que ficar perdendo tempo contestando o DIA DA MULHER? Tem dia do Pai, da Mãe, da Criança, e até do nascimento de Jesus. Dias marcados não invalidam a intenção.

Portanto por que não aproveitar essa chance ou mais esse dia, para colocar em pauta debates que farão a diferença? O maior deles a meu ver nesse ano é o da Violência doméstica e de gênero.   As formas usadas são várias: sexual, a psicológica, a humilhação.

A destruição da autoestima, a opressão, o controle, a física e a pior de todas: ESTUPRO!

Os índices crescem e são alarmantes. A última estimativa é a seguinte: 260 mil ações, 120 mil medidas protetivas de urgência, nos últimos seis anos. E nem sempre essas medidas resolvem, pela lentidão dos processos e julgamento. Deixando a vitima exposta ao seu algoz, e fazendo muitas vezes com que desistam, por medo, e por se sentirem vulneráveis.

A Ministra Carmem Lucia, é a idealizadora de uma campanha que intensifique os julgamentos, deixando assim essas mulheres agredidas, seguras e mais corajosas para enfrentar as horríveis situações a que são submetidas pelos covardes que em pleno século 21 continuam usando da força e às vezes de certo poder, para amedrontar e dominar uma relação na qual com certeza se sentem inferiores. E nisso incluo, namorados, maridos, amantes, irmão e pai.  Familiares pasmem, estão no topo da lista.  Impressiona esse numero alarmante, o maior das Américas e Europa, conforme estudos e censos.img-1035191-emma-watson

Nesse carnaval, houve recorde, 90% de relatos de algum tipo de violência, e até 68 denuncias de cárcere privado.  Sério! Fiquei pasma… Ainda existe isso? Não se contabiliza aí as que não chegam a denunciar, por medo ou certeza que a impunidade ainda vai criar mais problemas. São taxadas de putas e de vitimas passam a culpadas, imediatamente. A cultura machista predomina.  E não só entre os homens. As mulheres machistas proliferam, em tempos de insegurança e cabeças atrofiadas. Machos mal acabados diria Nelson Rodrigues. E estou com ele. Mais do que enxergar um homem machista, me deixa estupefata, as mulheres machistas. Tenho vontade de dar com um gato morto na cabeça delas, até ele miar… São o pior da espécie. Essas não ganham meu respeito. Pelo contrário: Abomino.mulher-loura-com-maos-amarradas_1122-685

Que tal então nesse DIA INTERNACIONAL DA MULHER colocar luz e foco nesse debate, ao invés de ficar dando muxoxo, e repetindo que nosso dia é todo dia, etc. etc. Disso já sabemos. O que precisam saber é que estamos revoltadas com esse comportamento e temos sim o que comemorar, mas temos ainda muito o que conquistar. Calada jamais se chegará a lugar algum.  Não somos o sexo frágil, isso pelo menos já está comprovado, mas só seremos fortes e Poderosas Unidas.

Falando a mesma língua, olhando na mesma direção. Nesse quesito, os homens nos dão banho. Que Raça unida! Portanto pense bem: Ele tem esse Poder, porque nós na desunião autorizamos.

Vamos respeitar as mulheres de vanguarda que nos trouxeram até aqui. As que sem medo de ser feliz, foram sinalizadoras, que iluminaram muitos caminhos.

Todo ano cito as que invejo pela ousadia ,   pela   inteligência, as intuitivas , as dispostas a mudar e pagar o preço. Donas de suas cabeças, que nos trouxeram tantos exemplos, nos fizeram avançar e mais que tudo Pensar. Através de suas palavras e atitudes.  Coragem, e determinação. Esse ano escolho uma, uma verdadeira pioneira que transformou nossas vidas e nos fez sentir respeito por nós, nos ensinando que temos Voz e que nada pode nos calar. Não se nasce mulher… Torna-se . Simone de Beauvoir para o mundo… E não poderia deixar de citar minha amiga Leila Diniz, que revolucionou uma geração, com um gesto tão simples: colocou a barriga grávida ao sol. Não teve medo de falar o que pensava e sentia, deixando os homens confusos com sua sexualidade bem colocada.  Destruiu tabus, sexo é normal e para os dois lados. Sem censura. Escolhemos o homem com quem queremos dormir e ponto final. Conquistamos e somos conquistadas. Bem simples. E Respeito não pedimos, é  obrigatório.

E é claro um Salve a Maria da Penha. Que tranformou seu sofrimento em LEI.maria_da_penha_lei_artigo

Eis o dia certo para mostrar que não continuamos compactuando com essa diferença insana.

Que seja o Dia do NÃO A COVARDIA. Vamos incentivar a denúncia, vamos acolher esse debate, vamos comemorar as conquistas, e não perder a chance de Gritar: Sim adoramos as flores, os chocolates, mas preferimos RESPEITO. Vamos demonstrar que podemos diminuir essa estatística, e parar de perder tempo com lamúrias. Existem questões e vamos encarar. Afinal, onde estão as Guerreiras tão aclamadas? Na zona de conforto, não se chega a lugar nenhum. Continuaremos sendo as princesas que esperam acordar com o beijo do príncipe, ao invés de mandar o sapo para o seu brejo.

Podemos transformar  o incomodo em projeto, lançar um olhar sobre o assunto, gerar discussão, afinal essa importância não pode ser ignorada. Tira vidas, deforma rostos e corpos, adoece almas, e mata sonhos.

Hoje dia 8 de março é nosso dia. Sim, vamos abraçar essa homenagem, mais que merecida. Sem maiores reflexões tolas. Alguém já disse e concordo que a maior beleza é a inteligência, e essa é eterna.603841_852850154773654_1601110801005392359_n.jpgLeila grávida

De minha parte recebo todas as flores, quero os chocolates, (dark com laranja, por favor) e agradeço as homenagens, afinal não fui eu que inventei esse dia, mas já que me deram, vou fazer dele uma coisa alegre, e acima de tudo que tenha sentido. Ser Mulher não é padecer no paraíso, é saber reconhecer o paraíso e invadir.. Mas presta a atenção: Ser feminista na dose certa, sem fanatismo, porque minha amiga vamos combinar, não tem homem que aguente tanto exagero. E você não precisa abrir mão de sua feminilidade, para provar que deve ser respeitada. Existem muitos homens que são loucos pelas mulheres, que cultivam a admiração e adoram a ousadia.  Mas no ponto certo.  Não confunda feminismo com histeria… Freud já explicava. Não precisa queimar o soutien.

Use um de renda, combinando com a calcinha, e após receber suas flores, deixe-as colorindo sua casa e sua vida, perfumando seu orgulho. Desabotoe então lentamente essa lingerie que lhe custou tão caro e mostre que tem peito.

                                                                     FELIZ DIA MULHERES!

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DÉCADA DE ARROMBA- CRÔNICA PARA WANDERLÉA

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Tantos anos e tantas travessias. E eis que numa tarde de domingo vou ao teatro assistir Década de Arromba, um documentário musical sobre os anos 60. E me transtorno. É uma viagem pela revolução cultural que teve início nessa década e da qual fiz parte. Entrei sem maiores expectativas, desarmada, curiosa para ver um espetáculo que vem sendo aclamado. E principalmente rever Wanderléa, a menina que junto com Roberto e Erasmo Carlos virou símbolo do movimento Jovem Guarda e numa explosão abalou o país, falando a língua dos jovens, ditou moda e  novo comportamento, trouxe uma música que contava a historia romântica da juventude que pedia mais leveza e liberdade. Tínhamos sido próximas por algum tempo quando, Luís Sergio Person, um diretor de cinema visionário apostando que aquilo tudo que via nascer era importante, que marcaria uma transformação e precisava ser documentado me convidou para fazer parte do filme. Rodamos muitas cenas, porém infelizmente o filme acabou não sendo concluído. Mas eles permaneceram dominando a cena, e viraram o maior sucesso musical, fizeram a diferença e colocaram muita gente para dançar o iê iê iê , inventado por eles.  As meninas e meninos assumiam ousados figurinos –  mini saias, botas , muitos cordões, pulseiras e anéis em todos os dedos. Os Beatles sacudiam o mundo e a Jovem Guarda sacudia o Brasil.

Aos poucos vou ficando inquieta na cadeira, percebendo que era muito mais que o show esperado. Um dos melhores musicais que já tinha visto, ultimamente. Embarcava pouco a pouco no túnel do tempo e a emoção começou a tomar conta. Eu fui testemunha de cada fato.  Acompanhei cada manchete daquela que era mostrada no telão, enquanto a música soava no palco, e um elenco primoroso e afinado, cantava e representava. Entre eles Jade Salim, a bela filha de Wanderléa.IMG-20170213-WA0000

Naquele domingo reencontrei Fellini, Mastroianni ,Glauber Rocha, Jânio Quadros, Ary Barroso, Carmem Miranda, o Festival da Canção, a Chegada do homem á lua, Cauby Peixoto, Edith Piaf, Elvis Presley,Gil, Caetano, Maysa, Tom, Vinicius, Vandré e claro os Beatles e muitos mais. Dez anos que desfilavam bem ali na minha frente, lindas homenagens e manchetes inesquecíveis fruto de uma fantástica pesquisa.  Um divertido e emocionante passeio musical. Que mexe com nossos sentidos, traz sentimentos arquivados, nos faz cantar, querer dançar, e até chorar. Lágrimas boas de intensa saudade.  Passeiam ali, durante 3 horas ricos personagens, que foram o divisor, a vanguarda que surgia. Marcando com muita música, poesia, cinema, teatro, uma nova cultura. Até o Golpe de 64, que deixou então cicatrizes de ferro e fogo. Dando lugar às canções de protesto.     Mas o amor carregava ainda sua inocência, seu romantismo, e fazia com que nós jovens sonhadores pretendendo mudar o mundo, não perdêssemos a ternura. Nem a esperança. O combate usou  armas poéticas. Desde 1922 já havia sido inaugurado o rádio e em seguida a televisão, que popularizou todas as expressões e deu força aquela gente sedenta de expressar seus talentos em todas as suas formas.

E eis que… No final do primeiro ato a Ternurinha como ficou conhecida, aparece.  Num vestido cor de rosa clarinho, bordado, lindíssima invade o palco e nossos corações que ela já havia sequestrado tantos anos atrás.  A plateia veio abaixo, aquelas senhoras e senhores esqueceram a idade, embarcaram, cantavam, aplaudiam, a paixão acordava. Que bela aparição! Foi então que chorei pela primeira vez. A menina que conheci e não via há 50 anos, estava ali plena e radiante.

Nada se perdera percebi, estava ali guardado cada momento vivido. E todos ali presentes me acompanhavam remexendo em suas memórias. Naquelas faces marcadas, nos cabelos prateados, os olhos brilhavam embevecidos. Quantas emoções para um domingo qualquer de 2017.

Faz-se o suspense e o intervalo nos deixa na ansiedade do quero mais.   Quando ela volta, desfia seu repertório, com o mesmo carisma, sexy e linda. Wandeca domina a cena, Wandeca troca de roupa, (palmas para os figurinos de Bruno Perlatto) ela dança e canta seus sucessos, com o coro dos presentes que sabe todas as letras. Ninguém esqueceu nada.

Entramos na festa.16195281_1041988375901231_9026511672276908054_n

Já no final ela surpreende adentrando pela plateia, fala com as mulheres, abraça, renova a esperança dos homens.  No rosto o brilho da felicidade ,o sorriso terno, a alegria de estar ali, revivendo sua própria história, cercada de cúmplices.

O  amor está no ar.

O musical se compõe de 20 cenários, 300 figurinos, 24  jovens atores e 20 músicos.    Com o excelente vídeo grafismo de Thiago Stauffer, Frederico Reder assina a direção e direção de produção. Dramaturgia e pesquisa  de Marcos Nauer .Um time jovem, que faz esse belo resgate.

O grande final é a apoteose. Todos em pé, explosão total, frenéticos aplausos. Wanderléa está no seu melhor momento.             O ícone virou Diva.15590530_366972997003730_433822559177781461_n

 

Uma festa de arromba. Que completa 50 anos.

Wanderléa teve momentos bem difíceis em sua vida pessoal.   Chorei por ela, rezei por ela. Era um nome sempre presente na minha memória afetiva. Era doce, alegre, de bem com a vida. Focada, tirou todas as pedras de seu caminho e decolou.

E foi aí nesse último momento que veio a minha Prova de Fogo. Fui conduzida ao camarim da estrela pela delicada, carinhosa e gentil Joelma Di Paula que trabalha na produção e foi quem tornou esse happy-end possível.  Quando a porta se abriu um sorriso iluminado me acertou, tinha alegria no ar, e plena de delicadeza repetia: Como iria lhe esquecer? Você está igualzinha!

Morri ali, num abraço imenso que nos uniu com lágrimas teimando em descer. Era muito tempo, uma vida, e parecia que tinha sido ontem. Toda a ternura que eu guardei para te dar… e os seus cabelos… Pois é nesse momento os cabelos dela escondiam meu rosto, que queria disfarçar a emoção desse reencontro também, histórico.

Começamos a falar atabalhoadamente, querendo colocar em dia o que vivemos à distância, naqueles poucos minutos. Relembramos coisas, contei-lhe que agora estava com mania de escrever, e que essa noite iria virar crônica. Ficou surpresa, ficou contente, quis saber mais, me pediu para voltar, me segredou quanto tempo ainda iriam ficar e eu lhe prometi que voltaria. Até porque fazer essa viagem é um presente para uma cansada alma.

Sai do teatro hipnotizada carregando a luz de Wanderléa e gritei já na porta: Vai para o livro! Esse encontro vai ser capitulo do meu livro.

Recomendo a todos, é imperdível. Aos jovens aconselho que se misturem nessa plateia, para saber como era amar e viver naquela época, e ter uma aula de história. A historia de suas mães e avós.  Experimentar a ternura e a delicadeza perdidas.

É uma fiel retomada impregnada de beleza, de talentos, de acertos. Parabéns a todo o elenco, Parabéns pela iniciativa de num momento como esse que estamos vivendo, onde o ódio se alastra, nos oferecer esse oásis, essa trégua, essa levada para o coração. Sigam todos para o Teatro NET RIO! Não importa sua idade.  Lá , quando a luz apagar e as primeiras canções começarem a invadir aquela sala, teremos todos a mesma idade. A juventude de volta.16195281_1042959829137419_8143256179326601091_n

Cheguei à minha casa com uma vontade louca de  escrever sobre o espetáculo, mas na verdade, essa crônica é toda inspirada em Wanderléa, sua vitalidade, seu brilho que o tempo não levou. Corajosa como sempre foi, ela domina aquele palco, fazendo com que a gente acredite outra vez que ser feliz é possível, que envelhecemos sim, mas os sonhos têm um lugar seguro. Jogada na cama, olhei para o teto e imitei o gesto que ela sempre fez…  Palma da mão estendida… Por Favor, pare agora!  Congele Senhor Juiz.

 

                                                                     Hoje vou dormir com 18 anos.

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O ANO DA MARMOTA

 

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Segundo a tradição deve-se observar a toca de uma marmota. Se o tempo estiver nublado e ela sair significará que o inverno terminará cedo. Ao contrário se o sol estiver brilhando e ela se assustar com sua sombra voltando para sua toca, então o inverno durará mais seis meses.   É uma festa tradicional nos EUA e Canadá, que já virou filme: O Feitiço do Tempo com Bill Murray. Na cidade de Punxsutaweney a 120 k.  a  nordeste de Pittsburg  comemora-se essa tradição dia 2 de fevereiro. É o Groundhog Day. A história se baseia no meteorologista Phill que acordava todos os dias no mesmo dia. Preso no tempo. A tentativa é adivinhar quando o inverno vai acabar baseando-se na intuição do animal.

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Pois bem é essa sensação que tenho nesse 2016. Ficamos atados rodopiando em torno dos mesmos assuntos… A desarvorada politica brasileira, e o andar para trás, num retrocesso imenso, sem nos deixar horizontes.

Estamos acordando todos os dias no mesmo dia? Prende e solta, vai ser preso ou não vai? Vão soltar ou não? Continuamos a amanhecer naquele dia onde finalmente o impeachment do acordão se deu.

De lá para cá existe somente a repetição dos mesmos fatos, dos mesmos canalhas no poder, das mesmas descobertas do saque que sofreu o país, e das mesmas frases: Eu não sabia de nada. A palavra Lava a Jato e as cifras astronômicas que devastaram a Nação. Nossa alegria esperançosa dura pouco e voltamos ao dia anterior. Estou tendo dificuldade com o calendário… Perco-me, achando que não dormi. Esse ano existiu mesmo? Só temos certeza pelas punhaladas que tomamos no corpo distraído e na estupefação geral. Estamos presos, na Corrupção que alastra-se de ponta a ponta no país naufragado. E na Vergonha que nos humilha pelo mundo.

15241407_1821805694698315_8615628522329439475_nMas foi aí também que descobrimos a capacidade de reagir. Brasil mostra a tua cara!  Unidos fomos para as ruas Foi o ano que mais gritamos, nos esgoelamos, protestamos e começamos a despertar esperando quem seria o o corrupto que iria para a cadeia naquela manhã. Lutávamos por uma Nação de volta. Era tanto exagero na República democrática, que começamos a ficar indignados de verdade. O espirito patriótico começou a falar mais alto.  Procurando resgatar um pouco de decência.   E virou a guerra de um homem só, que foi acolhido por nós um povo desesperado, espoliado. Passamos então a rezar fervorosamente por um juiz que pegou capa e espada e fundou outra república: a de Curitiba.

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Conseguíamos sorrisos e pedaços de orgulho, quando ele tenaz resolveu ser capitão de um time de bons brasileiros dispostos a colocar os vendilhões do templo no seu devido lugar.  A cela de uma prisão. Mas o poder do dinheiro saqueado era muito forte e nossa esperança se desarmava, urdida na escuridão de nossas noites mal dormidas. Fomos ficando sem nenhuma luz para iluminar nosso túnel. Pelo contrário, assistíamos literalmente a cidade desabar aos nossos pés e muita lama que escorria pelo Brasil a fora.  Com terríveis descobertas da qualidade dos seres que nos governavam, nos representavam. Impávidos de covardia. Nos Crimes sem punição, arrogância dos poderosos, a certeza que iriam continuar devastando uma pátria que já fora saqueada, roubada de um povo já em trapos. Dia a dia, viemos sentindo a ruína, a falência de nossos sonhos, nossa incapacidade de acreditar no já famoso Tudo vai dar Certo. Dava não. Todo dia sem parar numa velocidade alucinante, nos envergonhávamos mais, paralisados. Incrédulos, sem palavras. E abriu-se a temporada dos palavrões.

Estamos completando 365 de desespero. Nada tinha sentido, aberrações e patifarias sem limites nos acordavam, quando a base de rivrotil ou lexotan se cochilava.

Era preciso muita garra, muita vontade de sobreviver, muito murro em ponta de faca. Chocou. Até os que fanaticamente continuavam a defender o indefensável. Acabaram alguns jogando a toalha.

Foi quando   veio à tona as desavenças pessoais, sinalizando que estávamos partidos. Um povo dividido entre o bem e o mal, entre a loucura e a incredulidade, entre o bom senso e a desordem mental.

A bipolaridade virou sintoma e o alarde nos fez ir murchando, angustiando, perdendo o controle. De nós mesmo, de nossas vidas, de nossos anseios.

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Nessa luta inglória, tivemos vitórias pontuais. Crise das mais sérias nos regeu esse 2016. Resiliência virou mantra.   A adrenalina fervia no sangue latino. Junte-se os acontecimentos do mundo que também não deram trégua e nos atingia profundamente. Que ano é esse? É a pergunta recorrente.  Uma inversão de valores e uma confusão de sentimentos tomou conta do chamado ser humano.  Assim, acabamos nós contra eles. Eles quem? Guerra maldita, mentiras incessantes, ladrões covardes, que nos pilhavam na calada da noite, dentro de nosso travesseiro. Loucura perde. Ficamos loucos, regidos por insanos e imorais da melhor e mais fina qualidade.

A delicadeza ficou escassa, o Amor perdeu assento. Flutua ainda, entre os mais obstinados.

O ano do retrocesso, dos absurdos, indignidade plena. Vergonha de ser brasileiro virou sentimento coletivo.

Preconceitos vieram à tona.  Nunca estiveram mais em moda.

Tentamos formar bandos, um se segurando no outro, mas a turma do foda-se sempre ganha. Somos poucos, mas ainda bem que firmes.   Todos à beira de um ataque de nervos. Sem trabalho, sem dinheiro sem opção. E então onde fica a alegria?

O pior é que estamos longe de alcançar algum resultado positivo. Tem muito chão ainda, nesse 2017 que se aproxima, nada amigável.  Isolados, cada um em sua casa, ficamos falando com os amigos pela rede social.  Cada um vai escolhendo sua defesa.  Na tentativa exasperada de não fenecer, nem desistir. Hay que tener cujones!

Gostaria de fazer uma crônica bem amena e cheia de felicidade para virar esse ano. Mas sinceramente, tornou-se missão impossível. Nesse mesmo dezembro assistimos o Apocalipse de Aleppo… Dizimada, esfarrapada, perdida em incessantes bombardeios. A isso chamamos Gente?  Mesmo apelando para os poetas, os loucos, desencanados, os que sangram diariamente donos de um coração e um olhar privilegiado, para a arte que alimenta momentos tão difíceis de engolir nos intervalos do que excede a alma exausta, mesmo assim não ganhamos imunidade.

Foi e continua sendo um ano que riscaram  do calendário e viramos reféns. Em casa trancados, só nos falta a tornozeleira eletrônica, na vigília da marmota.

020201peepFaltando poucos dias para essa virada que sempre é a da Esperança, quero deixar aos sobreviventes minha admiração. Aos que resistem minha solidariedade, aos que desistiram meu lamento, aos que ainda se recusam a enxergar, minha perplexidade e aos que continuam acreditando meu aplauso.

Aos que decidiram guardar os ódios, a insanidade o sofrimento que nos traz esse momento e a necessidade de respirar ar puro, aviso que vou me permitir não ser contaminada nos minutos derradeiros.  E me congratulo com os que sentirem essa mesma vontade; desejo que consigam a felicidade sonegada, a alegria sequestrada, plena, e sem culpa.

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Manual de sobrevivência, que aprendi com aquela menina Polyana que fazia o jogo do contente, dos livros da infância. Aos que conseguiram trancar dentro de si o Amor, a Delicadeza, o olhar de Generosidade, minha gratidão. Precisamos ficar atentos e nos reconhecer. De verdade, somos poucos.

Nos canos das espingardas dos enfurecidos, vamos tentar colocar uma flor, que desarma qualquer intenção. Em alguma praia vamos desfraldar uma bandeira sem cor, branca, imaculada, quem sabe isso consegue apaziguar nem que seja por um dia tanto ódio que impregna o ar desse verão que se aproxima?

Não me convidaram para essa festa pobre… A piscina está cheia de ratos…  Grande pátria desimportante em nenhum instante eu vou te trair…

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Abra seu champanhe, seu vinho, sua cerveja, o que conseguir que seu dinheiro compre e grite palavras positivas, se jogue nos braços dos amigos, beije com vontade de beijar, aperte até seu coração acelerar, dê refúgio e se refugie. A hora é essa. Aproveite que o desamor estará distraído, e o ódio envergonhado. Não vou permitir que me roubem o vestido branco, meus amuletos da sorte ,as flores na mão, os pés molhados pelo mar, a mistura tão linda que sempre foi  essa comemoração  entorpecida   pelos sonhos de um Novo tempo, a energia misturada em varias raças e línguas Por um dia, basta um dia, agradeça e perdoe. Está Vivo e essa será sempre a grande droga nessa festa.

FELIZ ANO NOVO!

*Cazuza

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NATAL DESBOTADO

 

 

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NATAL DESBOTADO

É dezembro…  Mais um que anuncia que haverá uma nova ponte. Um Novo Ano marcado pelo calendário.

Tempos que escorreram e ficarão perdidos dentro de nós.

Tempos difíceis árduos quase insuportáveis. O mundo nos avisa que todas as profecias talvez sejam cumpridas. Balas certeiras matam em nome da religião, riscam o ar, sangue escorre, tinge o champanhe. Lama, lama, muita Lama. Sufoca rios. O crime compensa.

O ódio parece cada vez mais forte, o desamor, o absurdo ao qual vamos nos acostumando a cada amanhecer.Desvalorização do Humano, que nos invade pelos olhos, ouvidos  e se apossa de todos os sentidos. A natureza sinaliza, os homens debocham. Uma evidente falência humana.

Matar ou Morrer, o Bem gritando para conseguir seu lugar e o Mal surdo, louco e feroz prossegue danificando as mentes, e nos jogando na insanidade que atinge corpo e alma, nos fere, nos deixa prostrada ou indignada.

Um sobressalto e pânico a cada dia. Busca-se a resistência, injeta-se nas veias Esperança e até os mais fortes já sentem a Fadiga.

No entanto é Natal… Mas o clima de sonho não se espalha no ar. Porém mesmo atordoados, olhamos o céu pedimos forças ao aniversariante do mês e o melhor presente: A vital Paz.

Não temos o que comemorar. Abro minha sacola de enfeites, fico perdida entre estrelas, sinos, anjos, bolas, laços e desânimo.  Há pouco tempo minha casa já estaria com cores, luzes piscando em cada canto e meu coração natalino, já saindo pelas ruas, olhando a decoração da cidade, encantada, inventando, me alegrando com o tempo mais calmo, com os olhos das crianças brilhando ao chegar perto do Papai Noel e inocentemente segredar seus pedidos, me emocionando com as músicas que enchiam o ar. Então é Natal… Cantava Simone, Happy Xmas  linda letra de   John Lennon, que tem o subtítulo :The war is over.   Não caro John… Sinto informar, a guerra apenas começou. Marcos Valle (Nelson Motta e Paulo Sergio Valle) criaram o hino definitivo para anunciar a chegada do Natal… Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou. E nos contagiava.

As famílias conspiravam sobre o amigo oculto, de quem seria a missão de fazer as rabanadas, quem prepararia o peru e a quem caberia exibir o famoso bacalhau. Os brigados relevavam, faziam às pazes o importante seria a união. Nem que fosse a única de um ano. Tínhamos Festa vibrante.

Hoje estamos deprimidos, rezando para que tudo passe logo e a vida siga seu curso, ansiosos por mudanças. Estamos Fartos, essa é a verdade, tristes e exaustos.

A mim particularmente o que mais me afeta, é o desamor reinante. Sou frágil, delicada. Sensível em excesso, vestida de guerreira engano todos. Entre Joanna D’arc e Santa Tereza D’Ávila, alucino.

Mas vamos lá… Não dá para ignorar o Natal.     Hoje comprei uma caixa de luzes para juntar às bolas e estrelas e não sei ainda por onde começar. Mas com certeza, vou querer ver um canto iluminado. Uma referência do meu amor pela data e sua importância. A meia noite vou segurar mãos amigas e Agradecer. E de presente para todos, terei palavras.  Que espero alcance os que souberem ler…

Tenho um baú e adoro distribuir.  Portanto REFLITA.

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Aquele afeto que você vestiu de desafeto, muitas vezes criado por suas neuroses ou as dele, não importa, dispa e encare antes que seja tarde. Não permita que coisas pequenas, desnecessárias sufoque seu amor. O arrependimento um dia virá e acredite vai doer muito. Não vale a pena, não cultive a alma pequena. Não leve tudo tão a sério, o bom humor é um ótimo antídoto, faz bem a pele, captura os anos.

Deixe a bruxa que mora em você fazer a alquimia, deixe que os olhos ignorem o horror e que a melhor parte guardada em você, Vença. Deixe a cabeça clarear os pontos obscuros, dê uma pausa na vigília desate os nós do desentendimento, permita-se um pouco de delírio, de loucura, tire os sonhos sonhados, engavetados e insista. Acredite. Ás vezes surpreendem e acontecem.

Olhe para o lado e enxergue, doe aos mais necessitados e para aqueles que olham e não veem os que ouvem sem escutar, os que usam a inveja como arma e são perversos por escolha, a esses doe o silêncio. Receba o amor que vier, embrulhe o seu em pacotes bonitos com as fitas da generosidade, da delicadeza, da ternura e com um sorriso, desmanche qualquer desarmonia.

Enfim é Natal. Há um tempo de cabeças cortadas e um tempo que se instala entre  a poesia e o ódio , entre o ser e não querer,  entre a revolta e a aceitação, entre o perdão e a oração.Entre DEUS e a Vida.

E não interessa se você acredita ou não Nele, não é essa a importância.

Afinal estamos todos aqui para discordar, se equivocar, todos no mesmo barco, em busca de rumo e prumo. O resto são meros detalhes que devem ser reconhecidos para que não se perca a voz que guia.

E não será na Noite de Natal, que vamos sucumbir. Afinal não podemos planejar nenhuma fuga, de barcos e aviões, escondidos cruzando fronteiras pelo Paraguai. Só resta então comer todas as rabanadas e beber todo o vinho que se quiser sem culpa. Se a gente é capaz de espalhar a alegria, se a gente é capaz de toda essa magia… Não vamos desperdiçar essa Noite… Vamos tirar da árvore e jogar fora o pacote do Medo.

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Essa crônica escrevi ano passado. Como nada mudou, pelo contrário conseguiu piorar, nossa tristeza teima em vencer a esperança e vitimas da velocidade com que 2016 ainda nos golpeia, percebi que é aquele ano que gostaríamos de congelar, anular, exorcizar, portanto para que buscar palavras ainda  mais contundentes?  Essas permaneceram e de tão atuais, repito. Elas não suportariam mais melancolia e nem vocês merecem.

Num novo final agradeço.  Por cada hora de carinho, por cada manifestação de força, de acolhimento de cumplicidade.   Por dividirem comigo essa dor que não é só nossa é de um Mundo que está em convulsão. Vamos nos refazer, emergir e encarar esse 2017 que permanece nebuloso e vai nos colocar à prova.  Vamos abraçar os sobreviventes e olhar para dentro. Está na hora. Ninguém saiu incólume, mas como esse é um mundo de entregas, saber deitar armas vai nos levar a luminosos amanheceres e magicamente poderemos acalmar nossos corações e dizer sinceramente:

FELIZ NATAL

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A HORA DE SEPARAR

O   que acabei concluindo depois desses casamentos todos é que sou libertária ou libertina. Conheço um homem, me apaixono e caso. Se me desapaixono, se a vida leva meu coração para outros sentimentos separo. Para que entendam melhor, me recuso a ficar ali, me tornando amarga, obesa, feia destilando ódio e espalhando infelicidade. Desde cedo aprendi que não vale a pena ser infeliz e não tem dinheiro que pague. Tempo é uma moeda cara.
E fico orgulhosa de mim, por ter conseguido preservar minha inocência, minha essência, sentir o peito arder de novo, o corpo pedir outro corpo, outro cheiro, outra emoção. Não sou capaz de manter um amor aceso, ao lado de quem não me deixa ser alegre e plena. Fazendo pior, por não aguentar, começa a minar. Estou fora. O sinal de alerta acende logo e começo a ficar indiferente, a dar muxoxos a salgar a comida. Meu jeito de proteger a menina que sou e como tal, se infeliz, faço malcriação. E sabe por quê? Porque essa menina é o que tenho de melhor e ela não pode morrer. Senão a exuberante, a animada, a curiosa, romântica, intensa, fodona, essas todas que invento na cabeça, vira abóbora. Precisa acreditar, para escapar .14720379_694657134031643_4909439236705237950_n
Ou aguenta minha angústia em busca da felicidade, me ouve nos momentos certos e precisos com atenção e interesse, tentando me desvendar, ou fica onde está. Não vai me alcançar, então para de fingir, que vou parar também. Meu coração é terra que ninguém pisa… Tem que deslizar com cuidado. Eu o entreguei a você com as duas mãos, inteiro, fui inteira, porque é assim que deve ser. Cumplicidade, trocas. É assim que funciono. Apaixono-me, cuido, inspiro, fico inspirada, o olho acorda brilhante, dois faróis, a pele boa, o riso do nada, acho graça em fingir obedecer, até obedeço. Deixo que roube meu lençol, meu travesseiro de estimação, aturo seu porre, fico bêbada de insanidade.
Aconselho inclusive a que se apaixonem, é uma preciosa adrenalina.
Não confisco suas asas, amo ou aguento seus filhos, vou a jantares chatos, cativo seus quereres, vou ler enquanto você grita diante da TV vendo seu time ganhar ou perder. Viro a casaca, escondo a bandeira do flamengo, o verde e rosa da mangueira, embarco na sua, porque isso vai lhe fazer feliz e para mim, é tão pouco.
Mas por favor, não tenha por defeito competir comigo, por ousadia achar que mudará meus conceitos e opiniões, me convencer que ser machista é normal, não me venha chamar nenhuma mulher de puta, nem minhas amigas, nem mesmo as que não conhece, fico louca.
Não me julgue, não me acuse ,não me imponha porque não farei nada disso com você Me convença. Com argumentos inteligentes por gentileza. Se dormir com outra mulher, não me conte só se for importante. Seja gentil com meus amores, me olhe como se fosse única, me respeite sempre.
Estamos num casamento, lembra? E é assim que as relações podem sobreviver ao cotidiano que vamos ser honestos, é um veneno. Mas é preciso que você entenda que se sou sua, estou marcada num espaço com limites, mas não posso perder a sensação de que posso voar.
E se tudo isso for pouco, então meu amor, não pense que vai ficar ali, me vendo murchar, calar, me encolher com medo de lhe perder. Nesse ponto, já lhe perdi. Já sofri aos bocadinhos, já dei o tempo que se precisa, me devastei, me desencantei, sinalizei, exerci a santa paciência de todo final e tendo certeza que naquela casa não mora mais um casal e sim dois pacíficos inimigos íntimos, fique certo que vou abrir meu paraquedas de emergência e quando você perceber, já estarei aterrissando em outra praia. Não me prenderei por limites acenados pelo medo. Sou comprometida com a vida.shutterstock_103611308
Porque eu tenho certeza, que a qualquer momento o sol virá me beijar e eu vou voltar a gostar de mim, quando inspirada pela sensação de liberdade, estarei recolhendo os pedaços do amor que ficou, guardando na memória tudo que foi bom, arquivando as fotos, ouvindo as canções, chorando porque faz parte, fazendo das lembranças apenas um lugar seguro. Depois vou fazer o que eu há de melhor nesse intervalo: sair com as amigas para beber seja lá o que for, ver todos os filmes que perdi porque estava ocupada lhe fazendo feliz, ler todos os livros que larguei pela metade, dormir com os homens que me despertam desejo, sem culpa, escrever sem censura, animando outras mulheres, aquelas que estão abertas querendo o jogo da vida, que quebraram as asas e estão ali a olhar, tristemente sem saber o que fazer. Essas mulheres, minhas amigas ou não, talvez leitoras apenas, ficarão contentes. Ao saber que existem outras soltas pelo mundo, libertas do fel, a procura de um novo pote de mel, e que ele existe em algum lugar. Alegres porque novamente voltou para sua casa que é dentro de si mesma. Escapou, reagiu a sabotagem. Enxergou o limite e resolveu tomar as rédeas de seu destino. Não se deixou afogar, navegou procurando novos horizontes.
A hora da partida é mesmo uma escolha que deixa marcas, rosto molhado, dias nebulosos.
Sangramos por dentro.10374854_1300475633301465_5857753486142853531_n
Mas encontramos pelo caminho, o bando dos desesperados, que nos certifica que não estamos sozinhos. Nossa vulnerabilidade recebe apoio, vida segue e o tempo se encarrega de ir apagando os vestígios. Abandonou-se a trincheira para manter a sanidade.
Minhas decisões drásticas, sempre foram em nome do Amor. Confuso? Sei que é, mas veja bem, quando declaro isso, já não havia nenhum traço desse amor que nos faz ver as cores do mundo. Havia sim, um bolo na garganta, um silêncio ensurdecedor, um desalento. Um desamparo, um convívio com a amargura. Um sorriso forçado, um gozo fingido. Na casa antes tão alegre, reina a discórdia. Então fico assim, refazendo cada canto meu,a memoria remendando, bordando, com total controle do meu tempo, as voltas com meus inventos vou cancelando os arrependimentos, até que numa festa alguém me tire de novo para dançar. Já refeita, vou dançar até o sapato pedir para parar.*

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A GENTE SEMPRE VOLTA AO LUGAR QUE FOI FELIZ

Às vezes demoro a sofrer. . .por pura teimosia.

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Hoje foi o dia escolhido, aquele que o coração avisa: renda-se! Deixa logo sair, não aguento mais segurar essa dor para você. Ela está aqui inteira, deixa sair, vai aliviar, talvez adormeça e fique menor. Talvez liberte e deixe espaço para entrar uma alegria.

Mas faça por inteiro, não fique no caminho. Vamos fazer aquela adiada viagem. Coloque suas botas e seu casaco de lã vai fazer frio, porém vai valer à pena.

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Ande a vontade por essa cidade, reveja todos os seus lugares nas calçadas que guardam suas pisadas, encontre todos os sorrisos que deixou lá perdido, é uma dor de saudade, uma dor de reencontro, apenas mais uma dor.

Não esqueça nenhum momento, nenhum beijo, nenhuma noite, nenhum dia, recolha com a cabeça limpa, sem mágoas a felicidade que por sorte viveu. É mesmo assim, nada é eterno. Apenas cristalize na memória uma cidade que foi sua, uma casa, todas as esperanças, faz parte das andanças. Faz parte de uma história que é sua não adianta fugir.

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Deite-se naquela cama de colcha cheias de flores em tons de vermelho, acione a persiana elétrica que lhe espantou deixando o quarto muito escuro do jeito que  você gosta. Se jogue, e olhe para o teto…  Feche os olhos lentamente , ouça a música, sinta o gosto do vinho no céu da boca, do doce saído do forno, do travesseiro de açúcar.

Lamente se assim quiser, chore se for preciso, sinta a mão que lhe afagava, a voz que lhe chamava, o vento beijando seu rosto, na janela do carro em alta velocidade, numa estrada qualquer… as pedras, os castelos, o encantamento , todas as descobertas que lhe aqueciam.

As nove malas na chegada, a mudança que não determinava tempo. A esperança sempre pronta. O sabor do peixe fresco, o azul único daquele céu que tanto amou.

Não esqueça nada: nem o homem que se perdeu, nem o amor que os envolveu, nenhuma negação. Apenas ande, pare nas lojas compre suas echarpes, suas bolsas grandes e coloridas.

Pronta? Então vamos lá, vou bater mais forte, não estranhe, nesse país até a palavra saudade  existe, é por isso que estamos indo para lá ,deixe por lá inteiro tudo que foi bom.

Essa dor tem que sair, vá buscá-la, já é tempo de se reconciliar com esse passado, que parece tão distante, mas continua a cada dia trazendo pedacinhos de lamentos.

Me libera  moça, sou apenas um coração.

E por ser seu sinto-me cansado e no limite.

Já foram tantas que aguentei e sei que aguentarei mais essa. Depois de tudo acertado, prometo que não vai mais doer. Ficará perdida como tantas outras das quais você nem se lembra mais.

Não esqueça as fotos, as canções, o sotaque, ouça tudo, veja com os mesmo olhos, essa liberdade está ao seu alcance, coloque sua coragem no lugar certo, vai ser bom. Esse fado precisa ser ouvido e essa felicidade reconhecida. Está encoberta de magoas e se continuar assim, vai perder a melhor parte. Seja sincera: teve encantos e belezas. Confesse bem agora para todas as suas paredes. Suba até o Castelo que você adora e lá do alto admire mais uma vez essa cidade que adotou um dia . Confesse como Neruda, recite os poemas de Pessoa, olhando para aquela linda Torre vendo o grande rio passar. Mergulhe como Clarice, ame como Drummond. E repita como Adélia: Não, não é a morte que estou procurando é a Vida!

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ZINGARA

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Gitana….  Gipsy  ou simplesmente  Cigana. Sempre tive fascínio por essa cultura . Cheia de mistérios e simbolismos. Nem mesmo o   próprio povo,  acredito, conhece esse extenso e tão antigo  universo, onde  não se sabe onde começa a verdade e termina a lenda. Estão espalhados  por muitas regiões , muitos países, carregam as mais diversas etnias.  Todas as histórias que os rodeiam são baseadas em suposições,  informações as mais diversas , mistérios .  São conhecidos como errantes, desordeiros e até subversivos a qualquer sistema. Místicos,  descriminados,  com espírito livre e  viajantes. Sua tradição se espalhou criando um   mundo único. Povo alegre, com música e dança no sangue, inspiram.

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