NATAL DESBOTADO

 

 

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NATAL DESBOTADO

É dezembro…  Mais um que anuncia que haverá uma nova ponte. Um Novo Ano marcado pelo calendário.

Tempos que escorreram e ficarão perdidos dentro de nós.

Tempos difíceis árduos quase insuportáveis. O mundo nos avisa que todas as profecias talvez sejam cumpridas. Balas certeiras matam em nome da religião, riscam o ar, sangue escorre, tinge o champanhe. Lama, lama, muita Lama. Sufoca rios. O crime compensa.

O ódio parece cada vez mais forte, o desamor, o absurdo ao qual vamos nos acostumando a cada amanhecer.Desvalorização do Humano, que nos invade pelos olhos, ouvidos  e se apossa de todos os sentidos. A natureza sinaliza, os homens debocham. Uma evidente falência humana.

Matar ou Morrer, o Bem gritando para conseguir seu lugar e o Mal surdo, louco e feroz prossegue danificando as mentes, e nos jogando na insanidade que atinge corpo e alma, nos fere, nos deixa prostrada ou indignada.

Um sobressalto e pânico a cada dia. Busca-se a resistência, injeta-se nas veias Esperança e até os mais fortes já sentem a Fadiga.

No entanto é Natal… Mas o clima de sonho não se espalha no ar. Porém mesmo atordoados, olhamos o céu pedimos forças ao aniversariante do mês e o melhor presente: A vital Paz.

Não temos o que comemorar. Abro minha sacola de enfeites, fico perdida entre estrelas, sinos, anjos, bolas, laços e desânimo.  Há pouco tempo minha casa já estaria com cores, luzes piscando em cada canto e meu coração natalino, já saindo pelas ruas, olhando a decoração da cidade, encantada, inventando, me alegrando com o tempo mais calmo, com os olhos das crianças brilhando ao chegar perto do Papai Noel e inocentemente segredar seus pedidos, me emocionando com as músicas que enchiam o ar. Então é Natal… Cantava Simone, Happy Xmas  linda letra de   John Lennon, que tem o subtítulo :The war is over.   Não caro John… Sinto informar, a guerra apenas começou. Marcos Valle (Nelson Motta e Paulo Sergio Valle) criaram o hino definitivo para anunciar a chegada do Natal… Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou. E nos contagiava.

As famílias conspiravam sobre o amigo oculto, de quem seria a missão de fazer as rabanadas, quem prepararia o peru e a quem caberia exibir o famoso bacalhau. Os brigados relevavam, faziam às pazes o importante seria a união. Nem que fosse a única de um ano. Tínhamos Festa vibrante.

Hoje estamos deprimidos, rezando para que tudo passe logo e a vida siga seu curso, ansiosos por mudanças. Estamos Fartos, essa é a verdade, tristes e exaustos.

A mim particularmente o que mais me afeta, é o desamor reinante. Sou frágil, delicada. Sensível em excesso, vestida de guerreira engano todos. Entre Joanna D’arc e Santa Tereza D’Ávila, alucino.

Mas vamos lá… Não dá para ignorar o Natal.     Hoje comprei uma caixa de luzes para juntar às bolas e estrelas e não sei ainda por onde começar. Mas com certeza, vou querer ver um canto iluminado. Uma referência do meu amor pela data e sua importância. A meia noite vou segurar mãos amigas e Agradecer. E de presente para todos, terei palavras.  Que espero alcance os que souberem ler…

Tenho um baú e adoro distribuir.  Portanto REFLITA.

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Aquele afeto que você vestiu de desafeto, muitas vezes criado por suas neuroses ou as dele, não importa, dispa e encare antes que seja tarde. Não permita que coisas pequenas, desnecessárias sufoque seu amor. O arrependimento um dia virá e acredite vai doer muito. Não vale a pena, não cultive a alma pequena. Não leve tudo tão a sério, o bom humor é um ótimo antídoto, faz bem a pele, captura os anos.

Deixe a bruxa que mora em você fazer a alquimia, deixe que os olhos ignorem o horror e que a melhor parte guardada em você, Vença. Deixe a cabeça clarear os pontos obscuros, dê uma pausa na vigília desate os nós do desentendimento, permita-se um pouco de delírio, de loucura, tire os sonhos sonhados, engavetados e insista. Acredite. Ás vezes surpreendem e acontecem.

Olhe para o lado e enxergue, doe aos mais necessitados e para aqueles que olham e não veem os que ouvem sem escutar, os que usam a inveja como arma e são perversos por escolha, a esses doe o silêncio. Receba o amor que vier, embrulhe o seu em pacotes bonitos com as fitas da generosidade, da delicadeza, da ternura e com um sorriso, desmanche qualquer desarmonia.

Enfim é Natal. Há um tempo de cabeças cortadas e um tempo que se instala entre  a poesia e o ódio , entre o ser e não querer,  entre a revolta e a aceitação, entre o perdão e a oração.Entre DEUS e a Vida.

E não interessa se você acredita ou não Nele, não é essa a importância.

Afinal estamos todos aqui para discordar, se equivocar, todos no mesmo barco, em busca de rumo e prumo. O resto são meros detalhes que devem ser reconhecidos para que não se perca a voz que guia.

E não será na Noite de Natal, que vamos sucumbir. Afinal não podemos planejar nenhuma fuga, de barcos e aviões, escondidos cruzando fronteiras pelo Paraguai. Só resta então comer todas as rabanadas e beber todo o vinho que se quiser sem culpa. Se a gente é capaz de espalhar a alegria, se a gente é capaz de toda essa magia… Não vamos desperdiçar essa Noite… Vamos tirar da árvore e jogar fora o pacote do Medo.

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Essa crônica escrevi ano passado. Como nada mudou, pelo contrário conseguiu piorar, nossa tristeza teima em vencer a esperança e vitimas da velocidade com que 2016 ainda nos golpeia, percebi que é aquele ano que gostaríamos de congelar, anular, exorcizar, portanto para que buscar palavras ainda  mais contundentes?  Essas permaneceram e de tão atuais, repito. Elas não suportariam mais melancolia e nem vocês merecem.

Num novo final agradeço.  Por cada hora de carinho, por cada manifestação de força, de acolhimento de cumplicidade.   Por dividirem comigo essa dor que não é só nossa é de um Mundo que está em convulsão. Vamos nos refazer, emergir e encarar esse 2017 que permanece nebuloso e vai nos colocar à prova.  Vamos abraçar os sobreviventes e olhar para dentro. Está na hora. Ninguém saiu incólume, mas como esse é um mundo de entregas, saber deitar armas vai nos levar a luminosos amanheceres e magicamente poderemos acalmar nossos corações e dizer sinceramente:

FELIZ NATAL

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Vera Vianna

Quando trabalhava no Jornal do Brasil ao entrevistar Nelson Rodrigues foi convidada para protagonizar o filme ENGRAÇADINHA, de seu livro ASFALTO SELVAGEM, assim, ingressando na carreira artística. Hoje atriz , jornalista, blogueira e escritora.

  • Dina

    Vera querida, voce como sempre brilhante, escreveu o que sinto e nã sabia coloca em palavras, mas que bom que sei ler...Te desejo um Natal feliz, delicado e cheio de energias para aguentarmos mais um ano, esse partilhar com vc tantas emoções , me ajudou a suportar com menos peso...Feliz Natal linda!!

  • LAIS M. P. CUNHA

    Verinha, Diante de uma crônica como esta, resta muito pouco a dizer porque está expresso nela toda a verdade de sentimentos espoliados, de mentes exaustas e de expectativas superadas.... numa exímia representação do que nos seria lícito dizer na data de um "Natal desbotado" como os últimos que temos passado... Além da predisposição sempre presente dos corações ainda sempre esperançosos da busca do reencontro humano, através do amor, que parece indestrutível dentro de nos. Mais uma vez, repetidamente: PARABÉNS pela ótima crônica ...!!!

    • LAIS M. P. CUNHA

      Verinha

  • Vera Vianna

    Augusto Machado Augusto Machado A nossa doce guerreira consegue, mais uma vez, o que não é novidade, nos tocar com mais uma cronica. A começar pelo apropriado título "Um Natal Desbotado", desfia todos os sentimentos, alegrias e decepções que afetaram a todos nós. Parabéns Verinha, nós é que temos que lhe agradecer por esses momentos de devaneio à medida que lemos seus textos. Que eles se multipliquem e nos enriqueçam em 2017, aumentando ainda mais a sua legião de fãs e admiradores. Agora, uma coisa ninguém me tira: o título de número 1. Beijos, AC

  • Vera Vianna

    Gilda Valentim ARRASOU FILHINHA, VC É O MÁXIMO, ESCREVE COM O PODER DE SABER MUITO BEM O QUE FAZ! AGORA SÓ VOU FICAR TE DEVENDO O MEU MESTRE ZÚ: ONTEM ELE FOI LÁ NO MEU TRABALHO PRA A NOSSA QUERIDA LIANE HOMENAGEA-LO,COM UM TROFEU, E ME AGRADECER DE TE-LO APROXIMADO., LEVANDO O LIVRO DELA PRA ELE...TUDO TEM SEU TEMPO, UM DIA ELE CHEGARÁ....BJKAS

  • Vera Vianna

    Elaine Andrade Elaine Andrade- Vera Vianna Vianna amiga querida... já te falei como é prazeroso tê-la como amiga. Vc nos faz acreditar que tudo é possível...Quando temos garra, amor e verdade no que acreditamos.Vc é um ser ímpar... n é morna e adoro isso em vc...???

  • Vera Vianna

    Lilian Caruso Lilian Caruso ..."A mim particularmente o que mais me afeta, é o desamor reinante. Sou frágil, delicada. Sensível em excesso, vestida de guerreira engano todos. Entre Joanna D’arc e Santa Tereza D’Ávila, alucino.", sei que vc alucina e em cada alucinação você renasce , cresce, brilha mais e mais, traz esperança para todos ao seu redor e logo em seguida, e apesar de toda guerra de toda lama, de toda gama de desesperança e medo, surge sua escrita repleta de verdade encantada, outra vez, apesar de tudo...e a gente para, lê, e lê uma vez mais e no meio de conclusões tristes, vislumbramos um raio de sol, luzes piscando numa árvore lá fora e nós aqui dentro amando sua escrita e aplaudindo sua incansável lucidez de brilhante !!! ViVA Vera Vianna Vianna, você é uma escritora nata !!! Feliz Natal, amo você amiga !!

  • Vera Vianna

    Carmen Eça Noooossa Vera Vianna Vianna e Vianna e Vianna e Vianna..... Nooissa bem mineiro! apesar de, ter sido germinada em ventre e solo gaúcho.. ,No entanto, a natureza de minha raiz é de correr mundo, de arar a terra. Sendo assim, passou por Minas- de tão coloridos e inesqueçíveis natais- e, saiu carregando esse Noossa, tão pontual, de imenso prazer, qdo me deparo com determinada maravilha: Noooossaa Vera, !!!! Meu caule e folhas cariúchas, ao acompanhar seu baú de oalavras, formando sentenças de amior incondicional a vida, ao reinventar-se a fim de que o milagre do renascimente aconteça, fazem com que um já, impossível Natal desbotado, dessa Fenix ardendo em chamasse transforme em paz, esperança e amor. A Joana D'Arc qur habita em mim, não mais será oela eternidade condenada a fogueira, Alice desperta atravessou a fronteira do espelho, que a separava de seu mundo. À rainha insana, louca que entre gritos e pedaladas, entre corredores e jardins vermelhos vociferava: cortem-lhe a cabeça, está sem a dela e sem condições de cura. E certo que o sapo cururu ainda habita em lamas pestilentas. Mas este será dado a pior das sentenças: irá se calar para sempre! Nem o planeta aguenta mais tanto veneno e desamor. A Fenix ardendo em chamas, que ora sou eu, agora pode seguir cumprindo seu destino. Encontrou, afinal, a voz e o canto de outras iguais Na noite de nascimento Dele, nós, por átimos de tempo, mortais, as veremos como raios de luz, que as esttrelas enviarão à Terra, colorindo o mundo. Entãlo é Natal?!!! O som da Terra é paz e essa luz de esperança no ar! Feliiz Natal!

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