MANIA DE CASAR

                                                         

Manias são manias…  Não se explica.  Uma das minhas é casar.

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Não perguntem por que. Não encontrei resposta até hoje.  Seguia a vida me apaixonando e achando que valia a pena dividir o pão nosso de cada dia, o colchão da cama king -size, a casa florida, o drinque da noite, as ideias compartilhadas na intimidade total, a cumplicidade, a preguiça matinal e a delicia de encontrar logo ali, bem do lado um gostoso bom dia. Muitas vezes, um sexo revigorante antes do café da manhã. Antes da praia, antes do trabalho nada deixa uma pessoa mais motivada. O dia nasce mesmo feliz.    E todos os meus maridos foram devidamente amados e me amaram muito bem.  Até o dia que o cotidiano ou o ciúme ia arruinando os momentos.  O casamento, ou qualquer relação não vem com anulação de vida própria, de liberdade, de abrir mão de ser quem você é.  Aí é que pega. Ou se garante e segura seu homem sem ataques constantes, ou dança.   Serve para os dois lados. Cuidar. Palavra chave. Bom humor, sorrir junto, ter prazer na volta para casa. Iluminar cada dia mesmo os mais sombrios, com atitudes e palavras doces. Um quebra pau está inserido vez em quando e se necessário. Faz parte de qualquer proximidade maior. Brigamos com os amigos, a família, discordamos ninguém é vaca de presépio. Mas tente-se manter o limite. Qualquer ultrapassagem é a ruína.  As palavras duras e cruéis ficam. Não se pode retira-las. Vai se formando o famoso pote de mágoas. Que um dia explode. Inimigos já temos ao redor, não precisamos dormir com eles.noivos-melhor-lista

Mas confesso que já dormi. Equívocos também não estão descartados. E dentro de um casamento, fica mais difícil resolver. Sempre soube disso, mas não hesitava em casar. Queria essa emoção que concordem é grande. Casei todas as vezes que achava o homem sem o qual pensava que não poderia sobreviver. É sempre assim. A gente pensa que dessa vez será para sempre.

Casei e descasei seis vezes, se está mesmo certa essa conta. Nunca fui santa e entre gueixa e guerrilheira concordo que não era fácil para eles. Minha intensidade era complicada, acompanhar minhas invenções, minha sede de vida, minhas indagações, uma roda contínua de alegria que os deixava tontos. Mas ser infeliz nunca esteve na minha dieta.

Então, era assim: estou infeliz, não fico. Arrumavam-se as malas e com aviso prévio, sempre dei aviso prévio, era justo, porém no dia do basta eu decidia.  Era chegada a hora de mais uma partida.basggg

Tive todas as personalidades. O chique colecionador, o lorde socialite, o publicitário genial, o jogador Bon  vivant, o economista lindíssimo porem bipolar, e o publicitário romântico por excelência. Não nessa ordem. Então tem uma preferência aí notaram? Dois economistas e dois publicitários. Nenhum ator. Não casei com nenhum ator, fiquei no “quase” com Gláucio Gill que morreu antes de nos casarmos. Mas namorei alguns.  Talvez por ter deixado a carreira cedo, não aconteceu.  Ficaram no palco do romance apenas. Mas como essa memória quase desmemoriada não é uma deleção premiada, para usar a palavra mais recorrente nesse momento, não citarei nomes. Saber amar também é uma forma de arte. É como colocar uma venda e ser levada para um mundo só seu. Onde tudo é perdoado e tudo é permitido. Onde todas as cores têm mais intensidade e todas as palavras ganham muita profundidade.

A gente consegue ficar impermeável, absoluta, única e sente no estomago frios inexplicáveis, no coração a pulsação incontrolável e no corpo o desejo que será sempre maior do que tudo. Maior do que qualquer razão, maior do que o medo que será transformado em um furacão, uma tempestade, um terremoto, uma invasão. O Amor é devastador e nos coloca na lona, no tatame, no limbo, no paraíso, no céu ou no inferno e pior de tudo sem que a gente perceba ou se incomode. Rouba todos os nossos sentidos. É o princípio o meio e o fim. E acreditem, é o único sentimento maior que o ódio. Enquanto vivo vence e seremos vitoriosos.

Uma arma letal. Que sempre foi a que me levou para o altar.

 

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Vera Vianna

Quando trabalhava no Jornal do Brasil ao entrevistar Nelson Rodrigues foi convidada para protagonizar o filme ENGRAÇADINHA, de seu livro ASFALTO SELVAGEM, assim, ingressando na carreira artística. Hoje atriz , jornalista, blogueira e escritora.

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