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SARAVÁ 2018

 

 

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Eram grandes as previsões e achamos exageradas as ameaças, a gente sempre quer afastar o medo e dar passagem para a Esperança. Assim fiz eu e acredito que muita gente também. Já estava tão ruim tudo, tão surreal que parecia que não iriam conseguir estragar mais a nossa festa.Conseguiram.

O Natal virou pesadelo, os encontros de amigos, de amigo oculto, coisas que sempre nos traziam alegria ficaram inviáveis.

Não temos mais sentimentos no estoque para extravasar a revolta, o ódio, a depressão e a incredulidade.  2017 foi um jogo de dominó. Sobreviver foi o grande desafio. Muitos conseguiram, sabe-se lá Deus como, outros sucumbiram, adoeceram, perderam a motivação.

Os Teimosos resistiram, não com tanta galhardia, mas não achando saída, fizeram da raiva combustível para caminhar e se salvar.  Da insanidade.

Fazendo das tripas coração, chego até Dezembro, não ainda sem temor.
Os amigos de verdade, se deram as mãos e fizeram valer uma ciranda de solidariedade. Cada qual a seu modo. Porque sinceramente, não vejo outra opção.  Voltarem-se uns contra os outros é o caminho torto que não vai levar a lugar nenhum. Pelo contrário, ficaremos cada dia mais sozinhos.Amizade

O meu ano, foi de algumas perdas e outros ganhos.  Tive dias de insônia, dias de euforia, dias de achar que tudo estava perdido, dias de ter certeza das vitórias.  Dias brasileiros . O refúgio foi  sempre otimismo. Cercada de bons amigos, de carinhos, de sementes que plantei, mesmo achando que poderiam ser erva daninhas. Sem abrir mão de ser quem sou, mesmo que muitas vezes, não fosse o politicamente correto. Jamais fui, iria começar agora? Sem chance. Digo o que penso e respeito os adversários. Sem respeito, não existe dialogo. E monólogos não combinam com uma mulher histriônica como eu.  Ouço, e muito. Calo, e nesse calar, aprendo, tenho espaço para verificar se o outro tem razão. Donos da verdade são maçantes. Ou simplesmente concordo comigo mesma. E sigo meu caminho.

Os dias foram de sucessivas surpresas: algumas boas e outras tipo trevas. De agosto em diante os ventos sopraram contra, era necessário ajustar as velas em outra direção.

Posso definir esse ano como uma caixa de pandora. O ano das prisões, delaçoes, tornozeleiras eletronicas, da Operação Lava-Jato, tendo  à frente o Juiz Sergio Moro, um Hercules moderno com  mais de 12 trabalhos.

Assédios denunciados, repúdio  aos preconceitos, homofobia, estupro e crimes antes enterrados, ganharam holofotes,com as mulheres  colocando a boca no trombone,  e alguns exageros. Porem melhor pecar pelo excesso.

Omissão é a covardia que não quer levantar do sofá.

De minha parte usei minhas defesas, atreladas a conhecida loucura.  Tirei férias de mim,  que tenho a mania  de ter opinião sobre tudo. Acordo, se tem sol e azul, já acho um ganho, se chove, Polyana acha ótimo, terei mais tempo para escrever, ler todos os livros que estão na fila, ver os muitos filmes que  me  transportam ,ir espiar o trabalho dos amigos, vibrar com cada um que está ali,  na trincheira da resistência, politicamente ou culturalmente.  São as nossas armas, pertenço a essa tribo. Vocês já sabem, mas gosto de me repetir: somos os sonhadores, os loucos, os criadores de fantasias, os doidos de pedra.  Aprendi que as palavras escritas me libertam, é uma salvação.   Com isso descubro também que não estou sozinha, cada um que atinjo e me motiva eu corro para o abraço. Também já disse isso. Tenham paciência, ando repetitiva.18342463_1206052282840990_8773267390099327518_n

Do novo lugar fiz um bunker, com inveja dos escritores americanos que vejo em muitos filmes, onde  possuem um refúgio próprio só para escrever. Lugares lindos à beira mar, ou nas montanhas, à beira de lagos cinematográficos. . Comecei até a falar inglês, para entrar no clima. Com quem? Comigo mesma, em frente ao espelho. Me achando. Deixei o surto ser protagonista.Mas não se preocupem, já voltei ao normal. Aqui  tenho todo o verde da natureza que me inspira.

Bipolaridade com certeza, não diagnosticada, mas percebida. Domada, trabalhando a percepção do limite.

Portanto falar de um ano kármico para todos nós, torna-se uma tarefa quase impossível.

Ódios exacerbados, amores renegados, demonizações, pinceladas de justiça, onde a injustiça vence, num mar de equívocos. Um hospício sem chave.

O ano das maluquices mais  bizarras.Temos que nos habituar, porque a enxurrada de acontecimentos foi grande, e tende a ficar assim. Adaptação. Palavra de ordem. Valores subvertidos. Só nos resta lamentar.

Pessoalmente confesso que vivi, meu fantasma é o tempo. Trabalhei no meu sonho, que todos sabem  é terminar meu Livro, e o pão que o Diabo amassou eu já comi, engoli, e digeri, ou apenas vomitei. Aconselho até esse vomito. Limpa mais rápido e a gente já inventa outro drama ou outra alegria dia seguinte.  Seja uma praia, conseguir pagar uma conta atrasada, um romance, uma paixão súbita que é uma excelente droga, acelera, enche a cabeça de caraminholas, depois não é nada daquilo, mas enquanto foi valeu, aumenta a libido, responsável pela criatividade e assim vai.  Na hora de cair do cavalo, espertamente se escolhe uma grama macia e com o rosto coberto de lágrimas e nostalgia nos tornamos poetas. É a fase  mais rica.

A dor . Um porre,  namoros fora de hora, colocando a palavra assédio tão em moda, no lugar certo, claro. Por que gente aqui pra nós, como vamos viver sem ser assediada?  A antiga cantada  dentro do bom gosto?  Apagar o desejo? E faz o que com o tesão?  Tesão por tudo, principalmente pela vida. Depois da queda, lambemos as feridas. Mas romance não pode faltar.

Enfim, esse 2017 zerou a alma e a paciência. No entanto, o importante sempre é o resultado. Estamos Vivos!  E livres para fazer de cada momento ruim um aprendizado. Rever conceitos faz parte.

A Síndrome do abandono que me acometeu me enchendo de medos ,exorcizei no dia do meu aniversário, que foi um dos melhores que tive ultimamente, sem muita expectativa fui cercada de amigos lindos, tomei um leve e merecido porre, comemorei a entrada do novo ciclo e a saída do inferno astral. Acordei nova.bolo niver

Dei uma cacetada no medo e nem de Alice e seu País tenho mais inveja.

O sonho do livro ganhou cor, força, amor e fé.  Colhi os retalhos de Cora Coralina, armei um varal e estão todos lá, se refazendo no sol da Esperança.

Aprendi muito, tirei forças do útero que já não tenho , enchi o saco de todos os santos que comigo convivem, mística que sou, e essa Fé foi da maior importância.  STARWAR – me disse um antigo amor- que de longe me presenteia com a espada da certeza, aquela que decepa todas as minhas dúvidas.

O bota fora de 2017 já está pronto. Um mergulho no mar, essencial, um champanhe gelado, e no coração uma imensa Gratidão.  Extensiva a todos vocês, amigos, irmãos, amores que fazem, a muralha que me blinda amenizando as dores, alavancando a coragem, às vezes enfraquecida. Uma rede, onde pulo, quico e volto, batendo as asas.

Então vamos lá: Rumo a 2018!

 

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O PODER DE UMA FOTO

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São bilhetes, cartas, palavras, frases, músicas e poesias que nos tiram o pé do chão. Ou nos desestabilizam. Não é preciso muita coisa, uma imagem, que cai por acaso na sua página, ou você puxa da caixa de memórias, pode arruinar seu dia, ou noite. Mas gostamos de guardar, ou simplesmente ficar ali parada olhando e sentindo a dor crescer. Passado o choque, vem o masoquismo. Queremos olhar, queremos nos certificar que aquela a imagem tem importância mesmo que esteja num passado longínquo, ela vai lhe abalar.

Muitas outras impactam pela beleza, pela sensibilidade, o momento inspirado que passou primeiro pelo coração do fotógrafo, no instante mínimo do apertar de um botão. Derramam sentimento.1010519_507794802607721_125941859_nSão olhares abençoados.  Íntimos da Luz e da sombra. As lentes falam.

Pode ser também uma foto amarelada de um momento feliz, pode ser uma colorida de ontem, que lhe desafia. É isso, as imagens nem precisam de palavras, desafiam.  A gente volta ao passado e o coração voa junto, sentindo alegrias recolhidas ou lágrimas já choradas.

O poder de um registro é muito maior do que se imagina. Porque resume rapidamente uma história, que se derrama como uma ampulheta. Fica ali como tatuagem, apontando a cicatriz.b3c2971d8ce14dfcf6e6874e4019e342

Foram inventadas para isso, para que o tempo se cristalize. As minhas são guardadas em caixas e álbuns, como se fazia antigamente. Arquivadas como preciosos tesouros. Raramente vistas, essa é a verdade. Nesses tempos de modernidade o computador se encarrega de guardar na Nuvem. Até hoje não sei bem o que é isso, porém acho um lugar perfeito. Perdidas no espaço, serão eternizadas, um dia todas serão deletadas pela família, que escolherá uma ou outra só para não perder a identidade.

Todos os seus amigos, seus momentos inesquecíveis, seus amores, suas dores, suas gargalhadas, seu vestido de noiva, o nascimento do seu filho, a paixão proibida, as brigas que causou as casas que habitou as viagens e lugares por onde andou, os abraços, os rostos que acariciou. Estarão ali, numa nuvem, que de repente faz você chover por dentro, ou ficar morrendo da mais pura saudade. De horas agora distantes, tudo  resumido num clique. Registros de amor, de alegria são documentos.  Em mim, o efeito às vezes é devastador. Mas sempre tive paixão por fotografar. E acumulei milhares, o que me faz perguntar para que? Acho que de vez em quando, deveríamos fazer uma faxina e ter a coragem de rasgar, cancelar, porque essa escolha é sua. É sua essa memória. Que será queimada impiedosamente por outros, quando você morrer. Já assisti isso e me chocou.negocio-fotografia

Estou divagando para estancar uma dor. A dor de me deparar com uma foto, que me desnorteou.     Foi bem numa noite, quando distraída abri um livro. A foto essa em questão, naquele momento me esbofeteou , o rosto ardeu ,fiquei sem dormir.  Fez-me supor, imaginar, inventar, desencantar, desconcentrar. Tinha tanta força que me espantou.  Congelei, larguei tudo, desfoquei, inventei. Fiz dela um filme, com final incerto. Por ali, passaram-se anos, dias, garrafas de vinho, champanhe, festas, lençóis amassados, cheiros, gosto de mar, de beijo na boca, som de gargalhadas, um café em Paris, olhares matreiros, sexo, abraços, Pavarotti cantando, Ivan Lins se entregando numa canção. Portas se abrindo num aeroporto, chegada sem partida, segredos, mistérios. Dentro da minha exagerada imaginação uma Vida.Cafe-de-Flore-in-Paris

Era apenas e tão somente uma foto. Reveladora, cruel. Breaking Point.*9576635_7FejQ

Uma resposta e uma indagação. Teria sido certa essa escolha? Ela me trouxe o odor azedo do medo.

Aconchegada no sofá levei um tempo no martírio.  O olhar pousou na garrafa de uísque, um porre cairia bem. Mas o dia iria amanhecer do mesmo jeito e uma ressaca estenderia essa sensação.

Aquela adrenalina teria que ser consumida de uma vez, estava na hora de finalizar uma agonia. Deixá-la entrar, tomar conta, uma noite seria o tempo certo para aquele aborto. Andava grávida de ilusão. Era melhor romper a manhã com o vazio, essa memória estava tomando espaço , se alastrando, incomodando, quase sem intervalos.

Inevitável,  seria preciso  amenizar. Sem levantar do sofá apertei  o botão do controle remoto.the-good-wife-season-7-03 Viajei então para um tribunal em Chicago, lá eles resolviam tudo com acordos, nem sempre lícitos, mentiam se ferravam em nome da verdade, essa obsessão americana, mas o importante era vencer. Eram hipócritas, ardilosos, filhos da puta, e muitas vezes era justamente uma foto que decidia uma vitória ou uma condenação.  Talvez esteja confundindo vocês, mas tenham paciência é um curto circuito, estou no final.

Olhei de novo pela última vez para aquela fatídica fotografia, ignorei a nuvem onde poderia deixar arquivada e sem acordo bati o martelo: GUILT*

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*Ponto de ruptura

*Culpado.

 

 

 

AMOR PROIBIDO

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Nada mais fascinante do que uma amor proibido.  Já vem com apelos, guarda mistérios, chega envolto em magias.  Vem acompanhado de luxúria, erotismo. É o amor mais excitante que conheço.  Tira a cabeça do prumo, perde o rumo, vira obstinação. Porque com ele nasce o pecado que estava ali pedindo para ser cometido. Sobrepõe-se. Todas as resistências vão sendo minadas. Tem um sabor diferente o dobro da adrenalina e a certeza que é só seu. Não pode dividir com ninguém. Talvez a melhor amiga, mas nem sempre.  Calar é a melhor parte. A cabeça é invadida, o corpo sente calafrios só de pensar, você sorri sozinha, canta músicas que ninguém ouve, elas ficam ali dançando na memória, e desfoca do mundo real. Nada interessa muito, a não ser aquele nome, que você escreve sem parar, em papéis ou nas telas do filme que está vendo. O personagem, diz uma frase e ali está ele, mesmo que tenha nada a ver, você acha, identifica, repete a frase, baixinho, ou escreve para não esquecer. As músicas viram trilhas, às vezes uma única palavra, faz com que você se transporte e o sorriso vem logo acompanhar. Uma pessoa está lhe contando uma história seja qual for, pode ser até uma tragédia ou drama pessoal, e você de repente diz alguma coisa sem nenhum sentido. Alheia. Fica assim, alheia, procurando o eixo que só encontra quando vê na sua frente o tal amor proibido. Do qual ninguém faz parte, é seu segredo, é seu abrigo, é seu oásis. Floresce ali clandestino dentro de você.

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O orgasmo é mais intenso, pode verificar, existe o medo que possa ser o último. Todo dia tem gosto de aflição, de esperança, de ilusão, de perdição. Tem gosto de cinismo, tem gosto de barco chegando, de avião partindo, de culpa e vitória.

As horas ficam intermináveis, minutos, segundos, olhar preso no relógio, contagem regressiva. O telefone faz parte de seu ser, dele não se separa. Pode tocar e você não ouvir, pode entrar uma mensagem e você não perceber, pode perder aquele segundo de êxtase. Mobilidade integral. E criam-se códigos para se comunicar.  Adoro essa parte. Sinto-me Marta Hari. A famosa espiã. Nesses tempos de internet ficou mais fácil, às vezes basta um símbolo, e está dado o recado. À proporção que vai se estendendo, a coisa só tende a piorar. Se estiver em casa, aquela casa já não é mais sua, fica estranha, porque você não mora mais ali. Mora numa ilha deserta, rodeada de paisagens esplêndidas, pássaros que cantam  com céu de  luz , cheio de cor. Sem marolas sem nuvens e não importa a situação, o paraíso é ali. Numa mesa de bar, num colchão no chão, numa beira de calçada, num motel luxuoso, numa pensão de quinta categoria, ou em Paris.18301539_10213010500367154_365450763872986768_n

Se um dos dois tiver outro relacionamento, existe ciúme, desespero, saudade, mas o “outro” é ignorado assim que aquela porta se fecha e fingem que nada mais existe. Porque três será demais e inconcebível. Seria invasão.

Por ser proibido a privacidade se faz necessária, para que perder tempo com sentimentos que não lhe pertencem? É preciso ter manha, é preciso uma entrega mesmo temporária é preciso morrer a cada despedida, mesmo que o novo encontro seja daqui a algumas horas. Essa trégua jamais estará vazia.

Há um fio condutor sempre, mesmo que haja distância geográfica. Acontece.

A gente fica andando pelas ruas, pensando que àquela hora ele também estará pisando outras calçadas, vendo outro mundo, mergulhando em outro oceano olhando outras mulheres, que não lhe causam ciúme, porque em cada rosto terá um traço seu.  Outros você também enxergará que nada lhe dirão. Nenhum vai lhe olhar como ele. Aquele olhar está preso dentro do seu. Imaginação.    O amor proibido se alimenta de imaginação. É cancelar a realidade. E como isso faz bem.

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Não existe preconceito, não pode existir muito pensar, anule-se o certo e o errado. O certo é apenas viver essa história que vocês dois inventaram e não sabem nem bem por que. Pode ter sido apenas num olhar, num encontro de mãos, numa palavra dita com precisão, num abraço casual, num golpe de admiração, num sorriso cheio de malícia, que veio ao encontro de sua insatisfação. Tinha febre guardada, tédio escondido, ânsia de fantasias, delírios e loucura que procurava um par.

O amor proibido você até sabe vai lhe cobrar o preço da espera, da dúvida, da angústia de tanto querer.  Você vai ignorar todos esses sinais, vai mergulhar nessa tentação. Cada minuto vai valer a pena e jamais se perdoará se não tentar. Além de proibido, se tornará mal resolvido e com isso é bem mais difícil de viver. Melhor pagar o preço, a emoção agradece por ter sido acionada e embalada nesse desatino.

A história está repleta de amores assim: Romeu e Julieta é mais romântica delas, Wallis Simpson e Eduardo VIII-Meu Reino por Um Amor- fez tremer a Inglaterra- na literatura, Capitu e Bentinho, na lenda de Lancelot e Guinevere que incendiou a Corte do Rei Arthur. No cinema Casablanca que nos faz desejar até hoje que Elsie nunca tivesse entrado naquele avião, deixando Rick naquela neblina.  Nós sempre teremos Paris resume uma triste despedida.  Ou Pretty Woman, que teve nossa torcida para aquela garota de programa, ficar com seu príncipe encantado. Ficou… E todas nos sentimos princesas.

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Mas vamos para tempos modernos.  Recentemente tomamos conhecimento do mais forte desses fascinantes romances, que deslumbra o mundo nesse momento. O do Presidente francês e sua professora mais velha.  Macron e Brigitte amargaram a espera, mas decidiram pela coragem. Esse é o perigoso amor, que começou na cabeça. Ela sequestrou a dele, e ponto final. Buscaram sua fantasia e de proibido passou a ser permitido, exemplo que no amor as barreiras podem ser derrubadas, basta haver verdade, força e vontade.

Muitas vezes um amor que tem inicio numa sedução imensa, acha seu caminho, virando a página da vida. O amor não vem com bula, nem manual, se vale a pena monte o seu.

Antes de tudo, porém, esse amor precisa ser altruísta, que os amantes riam dos problemas, que o drama seja evitado, que sobre delírios, cumplicidade e alegria de viver, sem prazo de inicio nem fim.  Afinal se fosse para ser medíocre, não precisava de tanta tenacidade e tanto desejo amordaçado.

Todas nós já sentimos uma vez esse gosto único. Eu já tive muitos amores proibidos, na ficção quando representei (Engraçadinha e ABC do Amor) e na vida real. Quase todos se tornaram permitidos, modificaram minha vida, tive que fazer opções, porque tenho essa mania de ser inteira. Mas claro que existiram exceções. Alguns deixei pelo caminho. Já chegaram com prazo de validade.

 

Uma rebelde não estaria completa se não sentisse atração pelo proibido ou impossível. Precisa acordar diariamente com um desafio, uma bandeira na mão, que vai desfraldar antes mesmo de escovar os dentes, antes do primeiro gole de café, antes de abrir as cortinas do quarto escuro, antes de colocar lenha naquela causa que vai virar sua fogueira, aonde vai por livre e espontânea vontade arder.

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E se seu amor proibido passou para a coluna do permitido, cuide dele, não esqueça quantos porres tomou, quantos noites ficou sem dormir, como se questionou, como foi buscar coragem para encarar, por quantas provas passou, até resolver pular aquela ponte de mãos dadas, simplesmente porque concluiu que sem ele não poderia mais viver.

Porém se sua história não teve um final feliz, guarde-a muito bem, confesse que viveu. Vai beber mais um pouco, chorar pelos cantos, alugar uma amiga, sentir a vida morna, morrer de saudades. Vira memória. Vira crônica, vira conto, vira poesia, vira música. Nada é para sempre.

Até esbarrar em outro homem que seja competente, paciente ou simplesmente tão encantador que lhe desmonte de novo e não seja proibido, por favor, de preferência.   Precisa-se de intervalos porque lembrando o poeta, o coração não é de ferro, e não aguenta sangrar todos os dias.

Tire as correntes daquele amor proibido, entenda que a liberdade procura espaços e guarde-o na memória que com muita imaginação criou uma realidade profunda. Que foi só sua, seu mistério, seu segredo, seu Santo Graal.

 

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O CAOS INSTALADO

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Olhando-se no espelho as olheiras confirmavam…  Lá dentro o caos fazia morada. Noite mal dormida.

Uma sensação de vertigem fazia com que ficasse ali parada, procurando um caminho, uma brecha, uma saída.

Escrever estava se tornando um fardo. Nenhuma inspiração ou tantas que se sobrepunham e de repente desapareciam. O que era cura, prazer, virou pesadelo. Por onde começo? Deu curto circuito. Ficava ali olhando as letras que demoravam a formar palavras. E era tudo o que precisava: palavras. Onde teriam naufragado?

No dia a dia de noticias eletrizantes bombásticas, no país que derrete literalmente e nos humilha todo dia com os demônios nos envergonhando, nos achincalhando, donos de um poder que nos causa náuseas e dá corda a bipolaridade geral, uma nau afundando e nós a deriva, perdidos, dragões soltando fogo pelas narinas, com o ódio no leme. Mas não, aqui não quero falar sobre isso. Nesse espaço reina a alma que não aguenta. Os sentimentos mais bonitos é que devem pegar as rédeas. Mas de onde veio esse desanimo?

No coração entupido e devastado por tantas emoções? Na desmotivação que se apresentou de repente? Ou apenas nas lembranças de sentimentos passados? Que estavam ali pedindo licença para entrar, e sem eles ficava vazia. A pele estava com manchas, o sol do qual não abria mão, castigava, a última foto denunciava rugas com as quais nunca se importou. Por que agora lhe causava certo desconforto? A idade? Não, o tempo. A incerteza do quanto mais lhe seria dado. O tempo é apenas um código cifrado. É o vilão .

Vamos reagir? Reconheceu ali uma vontade. Já era alguma coisa. Aprender a viver com o que não veio, o tão pedido e desejado, e ainda ocupava os santos implorando.

Mas era proibido desistir. Progresso. Tenacidade, persistência. Repetia baixinho enquanto ouvia o barulho das mensagens que entravam no seu celular jogado em cima da cama. Nenhuma que fosse a esperada.  Será?  Melhor conferir. Sentia a ausência de alguma coisa que desorganizava e precisava dessa confusão, do tumulto, mas não desse caos apático.  O rebuliço das fortes emoções, pensamentos nada perfeitos, essa energia que destravava. A sensação de festa interior.

Esse era o seu chão. Mas precisava dessa luz interna, que chega e faz com que a musica toque. Sentia-se quase uma espiã. Desejo de ficar ali na toca. Atender telefone queria não. Mas essa fuga era de que ou de quem? Sabia lá… Mas precisava também desse mistério. Dormia, acordava cheia de ideias, esperando as surpresas. Esse signo de fogo adorava uma sofreguidão.

Depois de um tempo qualquer, resolveu olhar lá para fora. O dia estava azul.*

43540131_40_22730908_7856O que é isso criatura? Ouvia o grito do azul. Vai perder isso? Me dê apenas um motivo!

Vamos botar em prática a reação. Arrumar a casa, essa bagunça não combina com você. Lugar de calcinha não é no chão.

sala mom3            Esse apartamento é pequeno para tanta vontade. Tem uma multidão nesse momento pelas ruas cumprindo suas tarefas, andando à toa. Não importa. Estavam vasculhando o mundo. Vá lá se misturar. Organize essa alegria fugidia, esse confinamento. Vai se arrepender quando o sol se por e descobrir que não viu.

Onde colocou o tênis, aquele confortável e bem velho? Na procura, passa pela cozinha e pega mais um café.  Reler esses cadernos em busca dos capítulos do tal livro que por enquanto não passa de desejo foi um erro. O detonador.

mulher-tomando-cafe-pensando-vida-bf-130-7523           Ali entendeu que nada será mais daquele jeito.

Descobriu? Está procurando a felicidade onde não pode mais alcançar? Cravando o punhal no peito ,quer o drama. Que ver o sangue jorrar porque só desse jeito poderá sentir de novo aquilo tudo.

Nas palavras que estão hoje lhe faltando, no amor que de tanto encantamento se afogou, na separação que escolheu, num momento raro de preservação total. Esse está travado, lhe pregou na cruz, tire esses pregos bíblicos e não traga agora à tona esses segredos. São eles que estão causando essa turbulência, neles você ainda não está preparada para mexer. Nada é igual. Nem mesmo você está igual. A que narrou tudo aquilo está igual? A parte mesquinha e canalha foi trabalhada e o resultado foi uma evolução. A parte bonitinha e generosa não é hoje mais evidente? Essa paralisia também não é comum. Daquela do passado ficou o exagero, e as muitas que lhe habitam.

Come pouco, emagrece, engorda, tem insônia, bebe de vez em quando, promete todo dia parar de fumar, acolhe os amigos, ama demais, sofre demais, grita , se empolga, chora por nada. E é esse corpo povoado que traz a fadiga.

O café acabou e tomou uma decisão: vencer a si mesma. E essa é uma guerra de respeito. Só de chicote na mão. Fica com o presente que está vivendo que já é muito.

Achou o tênis? Não faz disso desculpa. Tem um par de havaianas bem ali olhando para você.

11428497_931895343539745_4211758736318914654_nEnquanto se vestia os pensamentos continuavam atropelando: acho que vou morar no mato. Assim morro mais depressa. Não, no mato não, detesto por que não perto do mar? Me deslumbra e morro mais devagar.

No entanto foi a noticia da morte de Ferreira Gullar que salvou. Na televisão ainda ligada repetiam a noticia e sua poesia. Uma parte de mim é permanente, a outra se sabe de repente. A poesia nasce porque a vida é pouca. Está fora do alcance o meu fim… Foi uma pedrada na cabeça embotada.  Bateu a porta e saiu. Percebeu como era divertido viver. Estava ali olhando o céu do Rio de Janeiro, Cristo Redentor sem nuvens. O calor sufocava.

Ao passar pelo jornaleiro gritou: Antônio guarda o meu jornal!

Deu de cara com o mar, e então só lhe restou agradecer… sou uma pessoa privilegiada, tenho aqui bem perto de mim, um festival de  beleza, que me incendeia .Larga o drama, hoje não, tem muita cor essa  manhã, não combina.

Lambuzou-se com um sorvete de maracujá ,  os olhos pregados no infinito.*

10364206_1083281268364558_7698448469823919061_n.jpgLili

Sentia o caos se despedindo.

 

*Quadro Mulher na Janela de Picasso.

*Foto de minha amiga Lilibeth Azevedo gentilmente cedida por ela.

SOBRE O QUERER

15241362_10207581258038766_2793101849259251033_nNão quero mais falar de fundamentalistas, de terroristas, de fanáticos que aterrorizam o mundo com certezas espúrias, dos que antecipam os tempos de medo, dos invisíveis dizimados sem dó nem piedade, dos degolados por bárbaros em frente às câmeras de TV, do mundo com valores invertidos, de religiões que geram atraso, de pessoas que fazem da crueldade seu meio de vida, de canalhas que se vestem de mentiras o tempo todo, de pessoas e mentes tão atrofiadas que acham por bem acreditar, por preguiça de pensar e assim contaminam multidões; de uma humanidade cada dia mais frágil e insolente, e alheia. Dos que se dedicam a teorias de conspiração, dos pais que geram filhos para depois assassinar cruelmente, de mediocridades irritantes, de preconceitos que não se derrubam… Daqueles que julgam o próximo como se fossem deuses puros; de retrocessos na sua história perdida e na história que deixaram de construir por egoísmo, incompetência, prepotência e inveja… Dos acomodados, dos covardes dos que ficam em cima do muro, os que não honram a vida como presente, dos que desprezam uma dádiva chamada sentimento.  Dos sem tolerância e dos que toleram demais por inércia, dos que não têm, dos que fingem ter, dos que ridicularizam quem tem.

Transformaram o coração em ferro, pedra, lixo descartável.

Cansada de discordar, também não concordo. Fico assim, um vulcão prestes a explodir, mas que explode no meio do meu coração, das minhas entranhas, das minhas tripas, no meu cérebro que procura diariamente acordos para manter a sanidade.

Isso tudo Não Quero!       Quero ir seguindo o que me resta de amanhecer, quero anoitecer sem culpa, com a cabeça deitada no meu travesseiro ortopédico para salvar o pescoço, com a consciência leve.

Quero acordar e me achar bonita mesmo que enxergue rugas. Quero ter lindas viagens dentro de mim, fazendo uma ciranda com os que amo.crie-lacos-com-as-pessoas

Quero os meus prazeres, todos os que meus desejos apontar. Quero limites, respeito, me encantar com poesias músicas e pessoas do bem. Quero me surpreender com admiração pelos que estão em sintonia com os valores que somam.

Quero enxergar e conseguir sentimentos delicados que embelezam e amenizam o insuportável para mim.

Quero os diferentes que se levantam todo dia com vontade de transformar. Qualquer detalhe… Os desarmados, os que perdoam e são perdoados, não por cansaço, mas por merecimento. Quero um amigo que perceba, porque simplesmente está atento.

Quero os que não humilham, porque essa é uma atitude desprezível. Todo ser humano merece respeito.

Quero os que saibam as diferenças, os que promovam mudanças, os que possuem o mesmo olhar, o mais lindo de todos que é o da Generosidade.

Quero um mundo onde esses se encontrem e se reconheçam.

Talvez esses meus quereres sejam utópicos, mas são os que habitam em mim.

Quando o coração transborda a língua fala. Quixotescamente me divido em total inquietação.

“Mudar o mundo meu amigo Sancho, não é Loucura, não é Utopia, é Justiça”. 

*camiseta-estampa-dom-quixote-e-sancho-panca-D_NQ_NP_11761-MLB20049227914_022014-OCervantes.

 

A LIBERDADE DAS PALAVRAS

 

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Me  deixa só… Com minhas fantasias, meus sonhos, meus delírios… me deixa só… Finalmente dando nova forma a meu corpo para que ele acompanhe o tamanho dos meus pensamentos, aqueles que sempre estiveram a salvo de qualquer invasão e que jamais ninguém poderá trancafiar, nem censurar, nem apagar.

Me deixa só para que eu dê passagem a minha inquietação que foi adormecida, que foi adiada e me fazia tanta falta. Para recuperar o olhar, o brilho do sorriso e o tesão na pele.

Me deixa só porque eu preciso libertar as palavras, todas as palavras que me foram cassadas.

Os palavrões, as reticências, exclamações, as letras maiúsculas, as obscenas. Quero abusar!

Finalmente estarão libertas, soltas, preciso ordená-las, ainda não se entendem… Por serem muitas, as cortadas ou cortantes perdidas ainda estranham o motivo porque foram vencidas pelo silêncio. Estão em revolução.

Tenho que ter cuidado, algumas se tornaram perigosas ou mesquinhas. Pratico o exercício da sutileza precisam encontrar o tom.

Me deixa só, porque meus delírios precisam se acomodar me alimentam, me impulsionam e sobrevivo;habitam  tantas dentro de mim que preciso me organizar, para não mais  as perder.

Nas palavras vou tecendo meus sonhos e vou carregando-os na bolsa, no bolso, na rua, no metrô, na praia, no botequim, na sala, e no elevador.  No travesseiro me dominam e na cama me fascinam.1914069_721300811339792_587561158429800379_n

Mas por favor, mantenha distância… Alcançá-las é tarefa para poucos, só os que possuem no sangue essa mesma cor, esse ritmo, esse furor.

Então agora me ouve… Para de falar… Minha cabeça está povoada não de fantasmas, mas de personagens, procurando sua luz, sua deixa, sua história.

É agora posso revelar: sou atriz! Abri meu baú. Dele tiro panos bordados, tecidos transparentes, fico nua e troco de pele.

Nesse desassossego, vou remendando, construindo aquela que de tanto sentir, foi  ficando sem voz,  mas continuava  mesmo sabendo que não era ouvida.   Foi quando de repente gritou: Foda-se! Fo-da-se!

E foi a palavra que a salvou. Um grito que espantou o medo.  Escapou e somente esse pensamento a libertou, ainda atônita tomou-se de euforia.

Hoje fica olhando para aquela fresta por onde passou e custa a acreditar.

Nela escreve… Palavras, muitas palavras sem censura e acolhida, vive delas.

Sim, essa sou eu povoando meus dias, com histórias que estavam guardadas e com as que ainda estão por acontecer. Todas comigo, sempre estiveram.

Portanto, me deixa só, tenho um encontro marcado… Preciso cuidar do cabelo, da pele, comprar um batom, mudar o esmalte, uma saia rodada, uma blusa colorida, tomar um porre, ouvir uma música, acabar aquele livro, ver um filme, dançar, abraçar um amigo, celebrar com as amigas, acudir quem for preciso, ouvir todos os sons: do mar batendo, das gargalhadas, dos passarinhos cantando, e de uma voz… tenho carência de voz.

Por favor, então entende: me dá sua boca, segura minha mão, não pergunta. Estou em constante movimento, não existe controle, são muitas as circunstâncias, as ideias me  atropelam,  não  existem verdades, somente buscas,me defendo, mas avanço ,  as mudanças doem,mas a gente  veste uma  armadura, cresce,  e a vontade de ser inteira vence. Agora você já sabe, tenho muitas vidas me esperando, não, não pergunta, embarca, estou atrasada.

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PAIXÃO INVENTADA

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Tem pessoas que vivem movidas pela paixão. Talvez uma droga de escolha. Paixão pelo trabalho, por um projeto, por causas, por pessoas, uma pessoa, viagens, pela VIDA

Um excelente aditivo. E se você não tem, está num momento de baixa, Invente! Vale! Vale a pena. Em cima disso, crie se estimule, parta. Essa história de Carolina, já passou… Lembre-se que o tempo é a única coisa que se ganha e se perde todos os dias. Sem retorno. Cura, mas adoece… Se ficar alheio, olhando um vazio, sem provocar mudanças… Seja proativa e crie seus desafios. Para enfrentar claro. Acorde acreditando e durma de alma lavada. Elimine o que lhe incomoda.

Não é fácil? Mas quem disse que seria? Porem se aquela pedrinha continua ali no sapato, machucando, mesmo que seja um Louboutin, descalce e esqueça o preço que pagou. Ponha uma havaiana, deixa o pé repousar. Ou fique descalça e ache mecanismos para colher mais energia. O meu já disse, é colocar na areia, de preferência da praia, perto do mar sempre me refaço. Algum elemento da natureza será com certeza seu escape. Escale uma montanha, faça uma trilha, pise na grama, ande de bicicleta, monte num cavalo. Olhar voltado para o mundo ao seu redor. Praia, montanha ou fazenda, a escolha é sua. E esse contato é um excelente bálsamo quando a alma grita por calma. Tente, experimente, é tudo de graça. É depois me diga: não voltou nova?

A cabeça… É isso que estou querendo dizer… Aí é que começa tudo. Portanto, jogue seu coração, mas preserve o impulso- e esse é sua cabeça que aciona.

Preste atenção as suas intuições, mesmo que elas naquele momento sejam contra o que você está sonhando. E nós mulheres, somos sim presenteadas com a famosa intuição. Não passe batido, vai se arrepender depois. E por mais errada que ela possa estar (a intuição) você, se não a descartar ganha. No minimo vai separar seu joio do trigo. Lembre-se que vazia, inventou uma história para viver… Aquela paixão. Um dia dará certo. Tentativas, SEMPRE! Portanto se esse projeto era fruto de uma aflição, aborte. Seja criativa, invente outro.

Mas pera lá… Calma, não se assuste, nem todo mundo pode ficar o tempo todo ligada numa tomada de 220 volts.Tem o dia do NÃO. Chamo assim aquele dia que você acorda com vontade de fazer NADA. Porque tudo deu errado. Permita-se. Durma até tarde, fique jogada numa poltrona lendo seus livros já lidos, vendo seus filmes já vistos, e guarde o relógio. Sabe aquele dia que você não tem vontade de falar com ninguém? Nem com sua melhor amiga? Não fale. Fique com você, faxina mental, faxina na casa também ajuda.

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Arrume suas gavetas, releia antigas cartas, veja fotos há muito guardadas, releia cartas de amor, se as tiver guardado. Tomara que sim.. Caíram em desuso mas como dizia o poeta… “todas as cartas de amor são ridículas”… E você vai se sentir ridícula. Existe um delay… Entre o que se escreveu e o momento depois.Mas no dia do “NÃO” você também pode escolher sair. Uma sessão da tarde, ver aquele filme que andava programando há tanto tempo num cinema vazio. Um saco de pipoca, uma Coca-Cola… O que? Coca-Cola faz mal? Deixa de ser chata menina! No dia do NÃO pode, pode tudo!E de quebra um chocolate na bolsa.

Pronto! Vai sair cheia de sonhos na cabeça, analisando o filme sozinha.

Talvez tenha mudado naquele momento alguma coisa lá dentro de você. Cinema. Magia. E quem sabe, surja aquela certeza pela paixão buscada? É assim, a vida se faz assim. Sobrevivendo a cada dia.

 

Evite o drama vai por mim, melhor sempre ficar com a piada. Bom humor faz bem a pele.

Mas… Se o drama for inevitável, caia dentro.

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Tá doendo muito? Grite! Se descabele, chore, beba um whisky, uma caipirinha, fume um cigarro, xingue!

Tem que ter o clima “noir”. E se não bastar mande pra puta que pariu; um foda-se bem dito para alguém, com todas as letras e de preferência alto.

FO-DA-SE! Ai que alivio

Mas eu estava falando mesmo de que? Ah! Paixões inventadas.

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Então, já caminhei na praia, já andei de bike

e, escalei uma montanha, dei a volta na Lagoa, acenei para o “CARA” ( O Cristo  Redentor meu amigo)meditei, refleti, fui ao cinema, comi pipoca. Voltei pra casa, sentei, escrevi um bocado, ouvi uma música escolhida a dedo. Qual foi? Conto não. Até porque são muitas. Sou movida. Já arrumei as gavetas, reli os escritos, viajei até aquela paixão antiga. Ah tá! Tem razão, fui olhar seu retrato. Era mesmo lindo .Abri uma garrafa de vinho, vou fumar um cigarro normal, maconha não, não faz minha cabeça.E essa música… Doendo assim… Filho da puta devolve meu sonho!

Já criei asas de novo, pronta para levantar um novo voo. Inventar outra paixão novinha, que vai acordar comigo no dia do SIM.

Feche os olhos e busque aquela emoção perdida. Sabe onde está? Lá dentro de sua cabeça. Porque na boca estará seu coração.

 

 

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ORGASMOS MÚLTIPLOS

 

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ORGASMOS MULTIPLOS

Existe uma enorme discussão a respeito desse tema. Estudo, teses, analise e censos. Orgasmo, orgasmo  clintoniano  e inventaram o tal ponto G.

As mulheres se preocupam, algumas se frustram,  desesperam. Todas querem atingir, claro.

A porcentagem concluída nos relatórios diversos, de médicos, sexólogos e afins é grande. Assim as que não  gozam dentro daquele estudo publicado ficam infelizes, desanimadas, amargas, frustradas.

Ok. Vamos falar abertamente sobre isso? Os homens não são questionados, já que  o orgasmo deles é evidente. Ou não. Caso encerrado.

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Então mulher, pare de procurar o ponto G. No máximo use essa  expressão para fazer seu homem feliz:

Você atingiu meu ponto G. Nossa, vai deixar ele sem dormir e  dar assunto para seu próximo encontro com os amigos numa mesa de bar.

O ponto G vou lhes revelar: está na cabeça. Se ele chegou até lá, é vencedor e merece ouvir a frase.

Todas nós temos orgasmos…. Todas, faço uma ressalva, que  não separam o sexo de outros sentimentos, que não o rotulam preconceituosamente. Tá na pele, na nuca, na boca, no olhar. Tá naquela mão que sabe pegar, naquela decisão que ousou. Nas atitudes, na sensibilidade, no tesão de viver. Numa palavra dita, no brilho de um sorriso, numa troca que lhe fascinou.  Na rapidez de um homem encantador…. Na inteligência, na resposta certa, na disposição e interesse de conquistar.

Tudo isso já aconteceu antes de chegar até a cama. Lá deixe por conta do desejo… Ah sim esse é o importante detonador. Relaxe. Se  ele errar, ensine o caminho. Diga para ele como é seu jeito de chegar.

Descubra os pontos dele… Ele também tem  escondido, seu ponto G que precisa ser estimulado. Fantasia, carinho,  romance. Naquele momento, deve se sentir especial…. Único, ardentemente desejado. Mentiras sinceras também valem. E principalmente, uma mulher com muita vontade de ser possuída naquele momento. Nada mais erótico que a entrega. Sexo é para dois. E quando está em questão, não vejo nenhuma complicação. É tesão, cheiro, toques e gosto. Doce ou salgado, de suor, de perfume,  de viagem. Uma enzima que o corpo produz, a alma recebe ,a tentação dá conta.

Sem  discursos moralistas,  sem cobranças.

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Apenas um curto circuito difícil de evitar. Simples assim.

Um coração disparado, um abandono e uma emoção tão intensa que todo mundo precisa e deve ter.

Ninguém nasce incapacitado para o amor. E não acredito que alguém consiga  passar batido.

É tão importante quanto comer, beber água, respirar. É transformador.  Uma das melhores coisas do mundo. SEXO…. Simmm!Tão bom quanto um sorvete de mangaba, uma tapioca bem quentinha,  dar um mergulho no mar,   um filme bom, um livro fascinante, ver a Torre Eiffel   pela primeira vez, beijo na boca no escuro do cinema,   entrar em Veneza  e chorar ao avistar a piazza San Marco, ouvir aquela voz bem de perto, muito perto, ao alcance de sua mão murmurando palavras cheias de faíscas obscenas.

Faça você sua lista. Esqueçam todas as estatísticas e se você tiver um orgasmo do jeito que for, fique feliz. O homem com quem você estiver na cama, vai esperar de você calor, uma fêmea  no êxtase, sensual, arrepiante, um misto de cio e ternura.  Um golpe quase fatal. Depois dessa confusão  surreal  e indescritível escolha  aonde buscar seu orgasmo. Porque ele minha amiga, já gozou mil vezes sentindo-se único.

 

 

 

 

 

DIA DE COMEMORAR… DIA DE OCUPAR.

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Para que ficar perdendo tempo contestando o DIA DA MULHER? Tem dia do Pai, da Mãe, da Criança, e até do nascimento de Jesus. Dias marcados não invalidam a intenção.

Portanto por que não aproveitar essa chance ou mais esse dia, para colocar em pauta debates que farão a diferença? O maior deles a meu ver nesse ano é o da Violência doméstica e de gênero.   As formas usadas são várias: sexual, a psicológica, a humilhação.

A destruição da autoestima, a opressão, o controle, a física e a pior de todas: ESTUPRO!

Os índices crescem e são alarmantes. A última estimativa é a seguinte: 260 mil ações, 120 mil medidas protetivas de urgência, nos últimos seis anos. E nem sempre essas medidas resolvem, pela lentidão dos processos e julgamento. Deixando a vitima exposta ao seu algoz, e fazendo muitas vezes com que desistam, por medo, e por se sentirem vulneráveis.

A Ministra Carmem Lucia, é a idealizadora de uma campanha que intensifique os julgamentos, deixando assim essas mulheres agredidas, seguras e mais corajosas para enfrentar as horríveis situações a que são submetidas pelos covardes que em pleno século 21 continuam usando da força e às vezes de certo poder, para amedrontar e dominar uma relação na qual com certeza se sentem inferiores. E nisso incluo, namorados, maridos, amantes, irmão e pai.  Familiares pasmem, estão no topo da lista.  Impressiona esse numero alarmante, o maior das Américas e Europa, conforme estudos e censos.img-1035191-emma-watson

Nesse carnaval, houve recorde, 90% de relatos de algum tipo de violência, e até 68 denuncias de cárcere privado.  Sério! Fiquei pasma… Ainda existe isso? Não se contabiliza aí as que não chegam a denunciar, por medo ou certeza que a impunidade ainda vai criar mais problemas. São taxadas de putas e de vitimas passam a culpadas, imediatamente. A cultura machista predomina.  E não só entre os homens. As mulheres machistas proliferam, em tempos de insegurança e cabeças atrofiadas. Machos mal acabados diria Nelson Rodrigues. E estou com ele. Mais do que enxergar um homem machista, me deixa estupefata, as mulheres machistas. Tenho vontade de dar com um gato morto na cabeça delas, até ele miar… São o pior da espécie. Essas não ganham meu respeito. Pelo contrário: Abomino.mulher-loura-com-maos-amarradas_1122-685

Que tal então nesse DIA INTERNACIONAL DA MULHER colocar luz e foco nesse debate, ao invés de ficar dando muxoxo, e repetindo que nosso dia é todo dia, etc. etc. Disso já sabemos. O que precisam saber é que estamos revoltadas com esse comportamento e temos sim o que comemorar, mas temos ainda muito o que conquistar. Calada jamais se chegará a lugar algum.  Não somos o sexo frágil, isso pelo menos já está comprovado, mas só seremos fortes e Poderosas Unidas.

Falando a mesma língua, olhando na mesma direção. Nesse quesito, os homens nos dão banho. Que Raça unida! Portanto pense bem: Ele tem esse Poder, porque nós na desunião autorizamos.

Vamos respeitar as mulheres de vanguarda que nos trouxeram até aqui. As que sem medo de ser feliz, foram sinalizadoras, que iluminaram muitos caminhos.

Todo ano cito as que invejo pela ousadia ,   pela   inteligência, as intuitivas , as dispostas a mudar e pagar o preço. Donas de suas cabeças, que nos trouxeram tantos exemplos, nos fizeram avançar e mais que tudo Pensar. Através de suas palavras e atitudes.  Coragem, e determinação. Esse ano escolho uma, uma verdadeira pioneira que transformou nossas vidas e nos fez sentir respeito por nós, nos ensinando que temos Voz e que nada pode nos calar. Não se nasce mulher… Torna-se . Simone de Beauvoir para o mundo… E não poderia deixar de citar minha amiga Leila Diniz, que revolucionou uma geração, com um gesto tão simples: colocou a barriga grávida ao sol. Não teve medo de falar o que pensava e sentia, deixando os homens confusos com sua sexualidade bem colocada.  Destruiu tabus, sexo é normal e para os dois lados. Sem censura. Escolhemos o homem com quem queremos dormir e ponto final. Conquistamos e somos conquistadas. Bem simples. E Respeito não pedimos, é  obrigatório.

E é claro um Salve a Maria da Penha. Que tranformou seu sofrimento em LEI.maria_da_penha_lei_artigo

Eis o dia certo para mostrar que não continuamos compactuando com essa diferença insana.

Que seja o Dia do NÃO A COVARDIA. Vamos incentivar a denúncia, vamos acolher esse debate, vamos comemorar as conquistas, e não perder a chance de Gritar: Sim adoramos as flores, os chocolates, mas preferimos RESPEITO. Vamos demonstrar que podemos diminuir essa estatística, e parar de perder tempo com lamúrias. Existem questões e vamos encarar. Afinal, onde estão as Guerreiras tão aclamadas? Na zona de conforto, não se chega a lugar nenhum. Continuaremos sendo as princesas que esperam acordar com o beijo do príncipe, ao invés de mandar o sapo para o seu brejo.

Podemos transformar  o incomodo em projeto, lançar um olhar sobre o assunto, gerar discussão, afinal essa importância não pode ser ignorada. Tira vidas, deforma rostos e corpos, adoece almas, e mata sonhos.

Hoje dia 8 de março é nosso dia. Sim, vamos abraçar essa homenagem, mais que merecida. Sem maiores reflexões tolas. Alguém já disse e concordo que a maior beleza é a inteligência, e essa é eterna.603841_852850154773654_1601110801005392359_n.jpgLeila grávida

De minha parte recebo todas as flores, quero os chocolates, (dark com laranja, por favor) e agradeço as homenagens, afinal não fui eu que inventei esse dia, mas já que me deram, vou fazer dele uma coisa alegre, e acima de tudo que tenha sentido. Ser Mulher não é padecer no paraíso, é saber reconhecer o paraíso e invadir.. Mas presta a atenção: Ser feminista na dose certa, sem fanatismo, porque minha amiga vamos combinar, não tem homem que aguente tanto exagero. E você não precisa abrir mão de sua feminilidade, para provar que deve ser respeitada. Existem muitos homens que são loucos pelas mulheres, que cultivam a admiração e adoram a ousadia.  Mas no ponto certo.  Não confunda feminismo com histeria… Freud já explicava. Não precisa queimar o soutien.

Use um de renda, combinando com a calcinha, e após receber suas flores, deixe-as colorindo sua casa e sua vida, perfumando seu orgulho. Desabotoe então lentamente essa lingerie que lhe custou tão caro e mostre que tem peito.

                                                                     FELIZ DIA MULHERES!

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DÉCADA DE ARROMBA- CRÔNICA PARA WANDERLÉA

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Tantos anos e tantas travessias. E eis que numa tarde de domingo vou ao teatro assistir Década de Arromba, um documentário musical sobre os anos 60. E me transtorno. É uma viagem pela revolução cultural que teve início nessa década e da qual fiz parte. Entrei sem maiores expectativas, desarmada, curiosa para ver um espetáculo que vem sendo aclamado. E principalmente rever Wanderléa, a menina que junto com Roberto e Erasmo Carlos virou símbolo do movimento Jovem Guarda e numa explosão abalou o país, falando a língua dos jovens, ditou moda e  novo comportamento, trouxe uma música que contava a historia romântica da juventude que pedia mais leveza e liberdade. Tínhamos sido próximas por algum tempo quando, Luís Sergio Person, um diretor de cinema visionário apostando que aquilo tudo que via nascer era importante, que marcaria uma transformação e precisava ser documentado me convidou para fazer parte do filme. Rodamos muitas cenas, porém infelizmente o filme acabou não sendo concluído. Mas eles permaneceram dominando a cena, e viraram o maior sucesso musical, fizeram a diferença e colocaram muita gente para dançar o iê iê iê , inventado por eles.  As meninas e meninos assumiam ousados figurinos –  mini saias, botas , muitos cordões, pulseiras e anéis em todos os dedos. Os Beatles sacudiam o mundo e a Jovem Guarda sacudia o Brasil.

Aos poucos vou ficando inquieta na cadeira, percebendo que era muito mais que o show esperado. Um dos melhores musicais que já tinha visto, ultimamente. Embarcava pouco a pouco no túnel do tempo e a emoção começou a tomar conta. Eu fui testemunha de cada fato.  Acompanhei cada manchete daquela que era mostrada no telão, enquanto a música soava no palco, e um elenco primoroso e afinado, cantava e representava. Entre eles Jade Salim, a bela filha de Wanderléa.IMG-20170213-WA0000

Naquele domingo reencontrei Fellini, Mastroianni ,Glauber Rocha, Jânio Quadros, Ary Barroso, Carmem Miranda, o Festival da Canção, a Chegada do homem á lua, Cauby Peixoto, Edith Piaf, Elvis Presley,Gil, Caetano, Maysa, Tom, Vinicius, Vandré e claro os Beatles e muitos mais. Dez anos que desfilavam bem ali na minha frente, lindas homenagens e manchetes inesquecíveis fruto de uma fantástica pesquisa.  Um divertido e emocionante passeio musical. Que mexe com nossos sentidos, traz sentimentos arquivados, nos faz cantar, querer dançar, e até chorar. Lágrimas boas de intensa saudade.  Passeiam ali, durante 3 horas ricos personagens, que foram o divisor, a vanguarda que surgia. Marcando com muita música, poesia, cinema, teatro, uma nova cultura. Até o Golpe de 64, que deixou então cicatrizes de ferro e fogo. Dando lugar às canções de protesto.     Mas o amor carregava ainda sua inocência, seu romantismo, e fazia com que nós jovens sonhadores pretendendo mudar o mundo, não perdêssemos a ternura. Nem a esperança. O combate usou  armas poéticas. Desde 1922 já havia sido inaugurado o rádio e em seguida a televisão, que popularizou todas as expressões e deu força aquela gente sedenta de expressar seus talentos em todas as suas formas.

E eis que… No final do primeiro ato a Ternurinha como ficou conhecida, aparece.  Num vestido cor de rosa clarinho, bordado, lindíssima invade o palco e nossos corações que ela já havia sequestrado tantos anos atrás.  A plateia veio abaixo, aquelas senhoras e senhores esqueceram a idade, embarcaram, cantavam, aplaudiam, a paixão acordava. Que bela aparição! Foi então que chorei pela primeira vez. A menina que conheci e não via há 50 anos, estava ali plena e radiante.

Nada se perdera percebi, estava ali guardado cada momento vivido. E todos ali presentes me acompanhavam remexendo em suas memórias. Naquelas faces marcadas, nos cabelos prateados, os olhos brilhavam embevecidos. Quantas emoções para um domingo qualquer de 2017.

Faz-se o suspense e o intervalo nos deixa na ansiedade do quero mais.   Quando ela volta, desfia seu repertório, com o mesmo carisma, sexy e linda. Wandeca domina a cena, Wandeca troca de roupa, (palmas para os figurinos de Bruno Perlatto) ela dança e canta seus sucessos, com o coro dos presentes que sabe todas as letras. Ninguém esqueceu nada.

Entramos na festa.16195281_1041988375901231_9026511672276908054_n

Já no final ela surpreende adentrando pela plateia, fala com as mulheres, abraça, renova a esperança dos homens.  No rosto o brilho da felicidade ,o sorriso terno, a alegria de estar ali, revivendo sua própria história, cercada de cúmplices.

O  amor está no ar.

O musical se compõe de 20 cenários, 300 figurinos, 24  jovens atores e 20 músicos.    Com o excelente vídeo grafismo de Thiago Stauffer, Frederico Reder assina a direção e direção de produção. Dramaturgia e pesquisa  de Marcos Nauer .Um time jovem, que faz esse belo resgate.

O grande final é a apoteose. Todos em pé, explosão total, frenéticos aplausos. Wanderléa está no seu melhor momento.             O ícone virou Diva.15590530_366972997003730_433822559177781461_n

 

Uma festa de arromba. Que completa 50 anos.

Wanderléa teve momentos bem difíceis em sua vida pessoal.   Chorei por ela, rezei por ela. Era um nome sempre presente na minha memória afetiva. Era doce, alegre, de bem com a vida. Focada, tirou todas as pedras de seu caminho e decolou.

E foi aí nesse último momento que veio a minha Prova de Fogo. Fui conduzida ao camarim da estrela pela delicada, carinhosa e gentil Joelma Di Paula que trabalha na produção e foi quem tornou esse happy-end possível.  Quando a porta se abriu um sorriso iluminado me acertou, tinha alegria no ar, e plena de delicadeza repetia: Como iria lhe esquecer? Você está igualzinha!

Morri ali, num abraço imenso que nos uniu com lágrimas teimando em descer. Era muito tempo, uma vida, e parecia que tinha sido ontem. Toda a ternura que eu guardei para te dar… e os seus cabelos… Pois é nesse momento os cabelos dela escondiam meu rosto, que queria disfarçar a emoção desse reencontro também, histórico.

Começamos a falar atabalhoadamente, querendo colocar em dia o que vivemos à distância, naqueles poucos minutos. Relembramos coisas, contei-lhe que agora estava com mania de escrever, e que essa noite iria virar crônica. Ficou surpresa, ficou contente, quis saber mais, me pediu para voltar, me segredou quanto tempo ainda iriam ficar e eu lhe prometi que voltaria. Até porque fazer essa viagem é um presente para uma cansada alma.

Sai do teatro hipnotizada carregando a luz de Wanderléa e gritei já na porta: Vai para o livro! Esse encontro vai ser capitulo do meu livro.

Recomendo a todos, é imperdível. Aos jovens aconselho que se misturem nessa plateia, para saber como era amar e viver naquela época, e ter uma aula de história. A historia de suas mães e avós.  Experimentar a ternura e a delicadeza perdidas.

É uma fiel retomada impregnada de beleza, de talentos, de acertos. Parabéns a todo o elenco, Parabéns pela iniciativa de num momento como esse que estamos vivendo, onde o ódio se alastra, nos oferecer esse oásis, essa trégua, essa levada para o coração. Sigam todos para o Teatro NET RIO! Não importa sua idade.  Lá , quando a luz apagar e as primeiras canções começarem a invadir aquela sala, teremos todos a mesma idade. A juventude de volta.16195281_1042959829137419_8143256179326601091_n

Cheguei à minha casa com uma vontade louca de  escrever sobre o espetáculo, mas na verdade, essa crônica é toda inspirada em Wanderléa, sua vitalidade, seu brilho que o tempo não levou. Corajosa como sempre foi, ela domina aquele palco, fazendo com que a gente acredite outra vez que ser feliz é possível, que envelhecemos sim, mas os sonhos têm um lugar seguro. Jogada na cama, olhei para o teto e imitei o gesto que ela sempre fez…  Palma da mão estendida… Por Favor, pare agora!  Congele Senhor Juiz.

 

                                                                     Hoje vou dormir com 18 anos.

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