A CASA

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Uma casa sempre será o melhor porto seguro, o melhor refúgio, um bunker esteja ela onde estiver geograficamente. Não precisa de um Van Gogh na parede, nem estofados de seda.

Na minha casa sempre predominou a cor, espalhada entre os móveis, as estantes, repletas de discos e livros, as flores em cada canto, a cozinha animada pelo bater de panelas cheias, de comida feita com carinho, da sedução dos temperos, da alegria de receber. Mesa arrumada com requintes de beleza, em cada detalhe. Louça fina, a mais bonita sempre, porque louça não é para ficar no armário, por mais cara que seja, é para ser usada, é para dar prazer e melhorar o sabor.

Na minha casa a alegria imperava, o barulho de gargalhadas, risos e muita conversa. Diversas, papos cabeça, ou apenas tolices ditas a esmo. Na minha casa o romance fazia morada. Os meus, os seus, os nossos. As meninas cresciam e se espalhavam pelos sofás, tapetes, camas, entre risos e às vezes lagrimas, elas ali se sentiam seguras, acolhidas, sem medo de confidencias, sem medo de censura, compartilhavam comigo, seus momentos de euforia ou de angústia. Minha filha e suas amigas que viravam filhas imediatamente. A mammy era a irmã mais velha, que elas admiravam, por ter a loucura que fazia parte do ser diferente que ali habitava.

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Na minha casa, a música estava sempre presente e nas pausas, íamos do drama a comédia.  Meu olhar sobre o que lhes acontecia tinha a liberdade que me acompanha, sem que elas perdessem a noção dos limites.

Foram muitas as minhas casas… Os endereços às vezes mudavam, entre Rio, São Paulo e além-mar, as caixas eram embaladas e viajavam, mas a Vida que continha voava junto, tudo se repetia em outros lugares.

Minhas casas guardaram romances e paixões dilacerantes, foram cofres seguros da alegria.

Felicidade era a bagagem imprescindível, viver cada momento como se fosse o último fazia parte daquela loucura coletiva. A porta permanecia sempre aberta para os amigos e formávamos bandos, de pessoas ávidas por aconchego.  Sempre amei minhas casas, sempre amei tê-las repletas de pessoas, sempre gostei de albergar os carentes e dividir minha sede de viver intensamente.

Mas o tempo passa, sem que nem a gente sinta, imperiosas mudanças, aventuras e a necessidade de buscas me levaram para lugares diversos, sem medo de ir.

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Sinto hoje em dia saudade de casas antigas, em cada uma delas deixei um pedaço de minha história. Bem vividas, por inteiro. Lembro-me das mangueiras da Torre no Recife, na infância agitada, e o gosto das pitombas .Sentindo a carência de uma mãe que me deixou muito pequena. Do apartamento perto da Lagoa, do Sitio ermo e longe, onde plantei e flori, acolhi e aprendi a amar muitos cachorros, da casa de Cascais, uma das mais lindas, do apartamento de Milão onde fui feliz e infeliz, envolta na nebia da cidade fantástica, onde minha juventude era plena, deslumbrada com tanta informação.  Do apartamento da Alameda Franca em São Paulo, no 16º andar, com direito a lareira.  Onde a noite tomava vinho, fogo crepitando e rolando no tapete com um amor cúmplice. Como esquecer um charme desses?

Fora de ordem, essa descrição. São tempos misturados, com a memória em câmera lenta.

 

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Hoje, minha casa se reduziu, em espaço e quietude. Faz parte da mutação e do crescimento. Faz parte de encontros com menos buscas. A idade nos vai revelando que procurar sentidos, é da maior inutilidade. Começa a contagem regressiva, portanto manda o bom senso, que nada se desperdice.

Aprende-se o famoso desapego. Conservo meus quadros queridos, meus livros especiais, minhas musicas que são trilhas sonoras de todos os amores e todos os sentimentos revisitados, de vez em quando. Sem nostalgia, sem melancolia, apenas saudades. No vazio, encontro em cada canto os sonhos. Em cada céu azul de um dia que nasce a esperança e o agradecimento de estar ainda tão repleta de vontade, força e fé no que me cerca.

Hoje moro sozinha e desfruto também essa paz de estar comigo, me entendendo, me procurando, sem nenhuma interferência. A cozinha silenciou, as meninas casaram, e os amores andam por aí, cada um com seu novo caminho. Os amigos perto ou distantes, vejo de vez em quando, mas permanecem muito presente, disso não abro mão.

Os amores novos que vão surgindo, acolho agora com mais cuidado. Não é qualquer um que me alcança, tem que ter o brilho no olhar que não seja enganador, não me jogo mais no destempero, esse tempo tão consciente passou. Existe um momento em que a gente se deixa enganar, por puro prazer, até cansar e encarar que esse jogo perdeu a graça. Continuo seduzida pelos loucos e sonhadores, pelos desequilibrados como eu, pelos que jorram emoção e se arrepiam com uma cena de um filme qualquer ou uma frase de um poeta, um canto solto na voz que Deus lhes deu e invadem nosso ar, por uma coragem que invejo, por uma obstinação latente, por aqueles que não se rendem ou se entregam. E principalmente pelos que me fazem ser melhor, mais plena, me gratificam com sua luz que doam sem reservas. E têm prazer de receber o que vivi e não posso guardar. Que chegam sem cartas na manga e se houver que seja pelo menos um Ás. Que retire devagar, no momento certo, sem melodramas, ganhando o jogo com a ternura que o Amor merece.

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Fquei seletiva, fiquei exigente, quero cabeças que me deslumbrem, e corações abertos. Fiquei madura, fiquei cansada. Na maioria das vezes concordo, por puro tédio.

Aprendi um olhar indulgente, e uma compreensão que só me abandona quando encarno uma entidade muito longe de madre Tereza. Resquícios do sangue pernambucano, ou da necessidade de gritar: toma cuidado, não sou idiota, cresci.  Não piso em ovos, não tenho esse talento, sou uma estabanada nata, portanto tenho os dias de fúria que jamais me abandonarão. Mas é preciso muita provocação ou presunção de quem acha que está me ganhando duvidando da minha  inteligência. Daí aumento o salto e dou uma “Situada,” palavra que roubei de minha amiga Lilian Caruso, psicanalista e amiga de confidencias nas altas horas da madrugada. Com ela rasgo o verbo sem pudor. Ela sempre consegue me fazer enxergar pontos obscuros, que no calor da emoção, deixei passar. Precisamos de alguém que nos faça não ultrapassar os limites, é com muito humor, cuidado e sensibilidade que ela me alerta, quando estou prestes a extravasar e perder meus estribos. Dependendo do meu estado de confusão vai me dando em gotas, até que eu absorva , desligue ou levante de seu sofá Freudiano com pé em Jung e me jogue na reflexão. Fator da maior importância. A análise foi um marco divisor em minha vida, e aproveito aqui para declarar: Obrigada Lilian Caruso!  Por ser nesse momento  a amiga e terapeuta que preciso. Quando estou em um momento desses, luzes vermelhas se acendem fico louca para entornar um copo ou um balde, mas fico à espera que a emoção me dê uma chance para conseguir a frieza necessária e não deixar a pernambucana encarnar. Todo dia acordo e canto para ela subir. Rezo para conseguir um final feliz.
tumblr_lhwtk2UguW1qb1f3so1_500-thumb-500x347-112258Mas doida como sou, isso me instiga, me faz ficar mais ocupada, apostando comigo mesma, quanto tempo vou segurar. Seja qual for o resultado, já me prometi muitas coisas. Inclusive me rasgar no meio dessa sala, tendo os quadros, os livros, os poetas, as flores, talvez até os vizinhos por testemunha.

Pois é… Nessa agora casa pequena tem muito silêncio, mas o barulho que me invade está sempre me lembrando que minha festa continua. E não será por falta de espaço que ela vai se aquietar.  Ganho a rua, me misturo à multidão, converso com desconhecidos nos bancos da sorveteria, nas cadeiras da praia, nos cafés ou livrarias. Ao redor ouço a música de hoje ou de ontem, sinto o sabor das comidas que inventava, sinto no peito todas as pontadas dos amores vividos, na boca o gosto dos beijos desejados e ganhos, e no rosto de cada desconhecido os sorrisos inesquecíveis que me deixaram tonta de prazer.

Não, não é solidão, é um inventário de quem nunca desperdiçou essa coisa mágica que é viver.

Independe de espaço, em cada casa a gente cria um Mundo, basta atracar o barco jogar a ancora, ficar olhando ao redor e ir contando as marés.

Cancelar os enganos e esperar o arco-íris.

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O PODER DE UMA FOTO

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São bilhetes, cartas, palavras, frases, músicas e poesias que nos tiram o pé do chão. Ou nos desestabilizam. Não é preciso muita coisa, uma imagem, que cai por acaso na sua página, ou você puxa da caixa de memórias, pode arruinar seu dia, ou noite. Mas gostamos de guardar, ou simplesmente ficar ali parada olhando e sentindo a dor crescer. Passado o choque, vem o masoquismo. Queremos olhar, queremos nos certificar que aquela a imagem tem importância mesmo que esteja num passado longínquo, ela vai lhe abalar.

Muitas outras impactam pela beleza, pela sensibilidade, o momento inspirado que passou primeiro pelo coração do fotógrafo, no instante mínimo do apertar de um botão. Derramam sentimento.1010519_507794802607721_125941859_nSão olhares abençoados.  Íntimos da Luz e da sombra. As lentes falam.

Pode ser também uma foto amarelada de um momento feliz, pode ser uma colorida de ontem, que lhe desafia. É isso, as imagens nem precisam de palavras, desafiam.  A gente volta ao passado e o coração voa junto, sentindo alegrias recolhidas ou lágrimas já choradas.

O poder de um registro é muito maior do que se imagina. Porque resume rapidamente uma história, que se derrama como uma ampulheta. Fica ali como tatuagem, apontando a cicatriz.b3c2971d8ce14dfcf6e6874e4019e342

Foram inventadas para isso, para que o tempo se cristalize. As minhas são guardadas em caixas e álbuns, como se fazia antigamente. Arquivadas como preciosos tesouros. Raramente vistas, essa é a verdade. Nesses tempos de modernidade o computador se encarrega de guardar na Nuvem. Até hoje não sei bem o que é isso, porém acho um lugar perfeito. Perdidas no espaço, serão eternizadas, um dia todas serão deletadas pela família, que escolherá uma ou outra só para não perder a identidade.

Todos os seus amigos, seus momentos inesquecíveis, seus amores, suas dores, suas gargalhadas, seu vestido de noiva, o nascimento do seu filho, a paixão proibida, as brigas que causou as casas que habitou as viagens e lugares por onde andou, os abraços, os rostos que acariciou. Estarão ali, numa nuvem, que de repente faz você chover por dentro, ou ficar morrendo da mais pura saudade. De horas agora distantes, tudo  resumido num clique. Registros de amor, de alegria são documentos.  Em mim, o efeito às vezes é devastador. Mas sempre tive paixão por fotografar. E acumulei milhares, o que me faz perguntar para que? Acho que de vez em quando, deveríamos fazer uma faxina e ter a coragem de rasgar, cancelar, porque essa escolha é sua. É sua essa memória. Que será queimada impiedosamente por outros, quando você morrer. Já assisti isso e me chocou.negocio-fotografia

Estou divagando para estancar uma dor. A dor de me deparar com uma foto, que me desnorteou.     Foi bem numa noite, quando distraída abri um livro. A foto essa em questão, naquele momento me esbofeteou , o rosto ardeu ,fiquei sem dormir.  Fez-me supor, imaginar, inventar, desencantar, desconcentrar. Tinha tanta força que me espantou.  Congelei, larguei tudo, desfoquei, inventei. Fiz dela um filme, com final incerto. Por ali, passaram-se anos, dias, garrafas de vinho, champanhe, festas, lençóis amassados, cheiros, gosto de mar, de beijo na boca, som de gargalhadas, um café em Paris, olhares matreiros, sexo, abraços, Pavarotti cantando, Ivan Lins se entregando numa canção. Portas se abrindo num aeroporto, chegada sem partida, segredos, mistérios. Dentro da minha exagerada imaginação uma Vida.Cafe-de-Flore-in-Paris

Era apenas e tão somente uma foto. Reveladora, cruel. Breaking Point.*9576635_7FejQ

Uma resposta e uma indagação. Teria sido certa essa escolha? Ela me trouxe o odor azedo do medo.

Aconchegada no sofá levei um tempo no martírio.  O olhar pousou na garrafa de uísque, um porre cairia bem. Mas o dia iria amanhecer do mesmo jeito e uma ressaca estenderia essa sensação.

Aquela adrenalina teria que ser consumida de uma vez, estava na hora de finalizar uma agonia. Deixá-la entrar, tomar conta, uma noite seria o tempo certo para aquele aborto. Andava grávida de ilusão. Era melhor romper a manhã com o vazio, essa memória estava tomando espaço , se alastrando, incomodando, quase sem intervalos.

Inevitável,  seria preciso  amenizar. Sem levantar do sofá apertei  o botão do controle remoto.the-good-wife-season-7-03 Viajei então para um tribunal em Chicago, lá eles resolviam tudo com acordos, nem sempre lícitos, mentiam se ferravam em nome da verdade, essa obsessão americana, mas o importante era vencer. Eram hipócritas, ardilosos, filhos da puta, e muitas vezes era justamente uma foto que decidia uma vitória ou uma condenação.  Talvez esteja confundindo vocês, mas tenham paciência é um curto circuito, estou no final.

Olhei de novo pela última vez para aquela fatídica fotografia, ignorei a nuvem onde poderia deixar arquivada e sem acordo bati o martelo: GUILT*

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*Ponto de ruptura

*Culpado.

 

 

 

AMOR PROIBIDO

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Nada mais fascinante do que uma amor proibido.  Já vem com apelos, guarda mistérios, chega envolto em magias.  Vem acompanhado de luxúria, erotismo. É o amor mais excitante que conheço.  Tira a cabeça do prumo, perde o rumo, vira obstinação. Porque com ele nasce o pecado que estava ali pedindo para ser cometido. Sobrepõe-se. Todas as resistências vão sendo minadas. Tem um sabor diferente o dobro da adrenalina e a certeza que é só seu. Não pode dividir com ninguém. Talvez a melhor amiga, mas nem sempre.  Calar é a melhor parte. A cabeça é invadida, o corpo sente calafrios só de pensar, você sorri sozinha, canta músicas que ninguém ouve, elas ficam ali dançando na memória, e desfoca do mundo real. Nada interessa muito, a não ser aquele nome, que você escreve sem parar, em papéis ou nas telas do filme que está vendo. O personagem, diz uma frase e ali está ele, mesmo que tenha nada a ver, você acha, identifica, repete a frase, baixinho, ou escreve para não esquecer. As músicas viram trilhas, às vezes uma única palavra, faz com que você se transporte e o sorriso vem logo acompanhar. Uma pessoa está lhe contando uma história seja qual for, pode ser até uma tragédia ou drama pessoal, e você de repente diz alguma coisa sem nenhum sentido. Alheia. Fica assim, alheia, procurando o eixo que só encontra quando vê na sua frente o tal amor proibido. Do qual ninguém faz parte, é seu segredo, é seu abrigo, é seu oásis. Floresce ali clandestino dentro de você.

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O orgasmo é mais intenso, pode verificar, existe o medo que possa ser o último. Todo dia tem gosto de aflição, de esperança, de ilusão, de perdição. Tem gosto de cinismo, tem gosto de barco chegando, de avião partindo, de culpa e vitória.

As horas ficam intermináveis, minutos, segundos, olhar preso no relógio, contagem regressiva. O telefone faz parte de seu ser, dele não se separa. Pode tocar e você não ouvir, pode entrar uma mensagem e você não perceber, pode perder aquele segundo de êxtase. Mobilidade integral. E criam-se códigos para se comunicar.  Adoro essa parte. Sinto-me Marta Hari. A famosa espiã. Nesses tempos de internet ficou mais fácil, às vezes basta um símbolo, e está dado o recado. À proporção que vai se estendendo, a coisa só tende a piorar. Se estiver em casa, aquela casa já não é mais sua, fica estranha, porque você não mora mais ali. Mora numa ilha deserta, rodeada de paisagens esplêndidas, pássaros que cantam  com céu de  luz , cheio de cor. Sem marolas sem nuvens e não importa a situação, o paraíso é ali. Numa mesa de bar, num colchão no chão, numa beira de calçada, num motel luxuoso, numa pensão de quinta categoria, ou em Paris.18301539_10213010500367154_365450763872986768_n

Se um dos dois tiver outro relacionamento, existe ciúme, desespero, saudade, mas o “outro” é ignorado assim que aquela porta se fecha e fingem que nada mais existe. Porque três será demais e inconcebível. Seria invasão.

Por ser proibido a privacidade se faz necessária, para que perder tempo com sentimentos que não lhe pertencem? É preciso ter manha, é preciso uma entrega mesmo temporária é preciso morrer a cada despedida, mesmo que o novo encontro seja daqui a algumas horas. Essa trégua jamais estará vazia.

Há um fio condutor sempre, mesmo que haja distância geográfica. Acontece.

A gente fica andando pelas ruas, pensando que àquela hora ele também estará pisando outras calçadas, vendo outro mundo, mergulhando em outro oceano olhando outras mulheres, que não lhe causam ciúme, porque em cada rosto terá um traço seu.  Outros você também enxergará que nada lhe dirão. Nenhum vai lhe olhar como ele. Aquele olhar está preso dentro do seu. Imaginação.    O amor proibido se alimenta de imaginação. É cancelar a realidade. E como isso faz bem.

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Não existe preconceito, não pode existir muito pensar, anule-se o certo e o errado. O certo é apenas viver essa história que vocês dois inventaram e não sabem nem bem por que. Pode ter sido apenas num olhar, num encontro de mãos, numa palavra dita com precisão, num abraço casual, num golpe de admiração, num sorriso cheio de malícia, que veio ao encontro de sua insatisfação. Tinha febre guardada, tédio escondido, ânsia de fantasias, delírios e loucura que procurava um par.

O amor proibido você até sabe vai lhe cobrar o preço da espera, da dúvida, da angústia de tanto querer.  Você vai ignorar todos esses sinais, vai mergulhar nessa tentação. Cada minuto vai valer a pena e jamais se perdoará se não tentar. Além de proibido, se tornará mal resolvido e com isso é bem mais difícil de viver. Melhor pagar o preço, a emoção agradece por ter sido acionada e embalada nesse desatino.

A história está repleta de amores assim: Romeu e Julieta é mais romântica delas, Wallis Simpson e Eduardo VIII-Meu Reino por Um Amor- fez tremer a Inglaterra- na literatura, Capitu e Bentinho, na lenda de Lancelot e Guinevere que incendiou a Corte do Rei Arthur. No cinema Casablanca que nos faz desejar até hoje que Elsie nunca tivesse entrado naquele avião, deixando Rick naquela neblina.  Nós sempre teremos Paris resume uma triste despedida.  Ou Pretty Woman, que teve nossa torcida para aquela garota de programa, ficar com seu príncipe encantado. Ficou… E todas nos sentimos princesas.

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Mas vamos para tempos modernos.  Recentemente tomamos conhecimento do mais forte desses fascinantes romances, que deslumbra o mundo nesse momento. O do Presidente francês e sua professora mais velha.  Macron e Brigitte amargaram a espera, mas decidiram pela coragem. Esse é o perigoso amor, que começou na cabeça. Ela sequestrou a dele, e ponto final. Buscaram sua fantasia e de proibido passou a ser permitido, exemplo que no amor as barreiras podem ser derrubadas, basta haver verdade, força e vontade.

Muitas vezes um amor que tem inicio numa sedução imensa, acha seu caminho, virando a página da vida. O amor não vem com bula, nem manual, se vale a pena monte o seu.

Antes de tudo, porém, esse amor precisa ser altruísta, que os amantes riam dos problemas, que o drama seja evitado, que sobre delírios, cumplicidade e alegria de viver, sem prazo de inicio nem fim.  Afinal se fosse para ser medíocre, não precisava de tanta tenacidade e tanto desejo amordaçado.

Todas nós já sentimos uma vez esse gosto único. Eu já tive muitos amores proibidos, na ficção quando representei (Engraçadinha e ABC do Amor) e na vida real. Quase todos se tornaram permitidos, modificaram minha vida, tive que fazer opções, porque tenho essa mania de ser inteira. Mas claro que existiram exceções. Alguns deixei pelo caminho. Já chegaram com prazo de validade.

 

Uma rebelde não estaria completa se não sentisse atração pelo proibido ou impossível. Precisa acordar diariamente com um desafio, uma bandeira na mão, que vai desfraldar antes mesmo de escovar os dentes, antes do primeiro gole de café, antes de abrir as cortinas do quarto escuro, antes de colocar lenha naquela causa que vai virar sua fogueira, aonde vai por livre e espontânea vontade arder.

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E se seu amor proibido passou para a coluna do permitido, cuide dele, não esqueça quantos porres tomou, quantos noites ficou sem dormir, como se questionou, como foi buscar coragem para encarar, por quantas provas passou, até resolver pular aquela ponte de mãos dadas, simplesmente porque concluiu que sem ele não poderia mais viver.

Porém se sua história não teve um final feliz, guarde-a muito bem, confesse que viveu. Vai beber mais um pouco, chorar pelos cantos, alugar uma amiga, sentir a vida morna, morrer de saudades. Vira memória. Vira crônica, vira conto, vira poesia, vira música. Nada é para sempre.

Até esbarrar em outro homem que seja competente, paciente ou simplesmente tão encantador que lhe desmonte de novo e não seja proibido, por favor, de preferência.   Precisa-se de intervalos porque lembrando o poeta, o coração não é de ferro, e não aguenta sangrar todos os dias.

Tire as correntes daquele amor proibido, entenda que a liberdade procura espaços e guarde-o na memória que com muita imaginação criou uma realidade profunda. Que foi só sua, seu mistério, seu segredo, seu Santo Graal.

 

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LEVEMENTE SURTADA

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Aos pulos.   Assim que estava esses dias o desobediente coração… Aos trancos e barrancos.

Queria escrever, queria trabalhar, queria ser normal. Mas tinham ondas, muitas que iam e viam numa total desarmonia. Muita adrenalina, coisa de incomodar. Pra que isso? Para e se pergunta no meio da sala em voz alta. Me dá sossego , preciso raciocinar, assim no tumulto não consigo  e essa emoção descabida vem de onde?

Do passado, do presente ou do futuro? Mistura tudo e acampa, é assim? Me deixa pelo menos saber, o tempo desse verbo. Futuro não existe, a Deus pertence, grita uma voz que parece vinda do além.

Meu Deus! Então ainda por cima, estava ouvindo vozes?  Seria queimada numa fogueira.

Teve vontade de beber às 4 horas da tarde. Mas como?  Isso está fora de ordem.  É surto? Parece né? Café… Toma café.  Ou chá?  Melhor chá… O chá dos ursinhos que  fazia sempre para curar as dores de amor de suas meninas. Um mix de ervas calmante. Come bolo não, ouve a voz, engorda.

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Desliga essa porra de celular.  É uma enchente de mensagens, ninguém fala mais. Só tecla. Dia todo, desde cedo. Mas pensando bem, melhor assim. Se for falar, está tão descontrolada que ficará duas horas na conversa com a amiga paciente. E conta tudo, repete, dá gargalhadas e a louca do outro lado também. São cúmplices total.

Precisa olhar a agenda. Organizar para não perder os compromissos. Tá bem… Numa rápida espiada já viu. Tem um que já perdeu. Risca, rabisca, faz círculos vermelhos ao redor do dia, tem calendário, papéis, todos repetindo a mesma coisa e nem assim. Inventa tudo. Desce correndo vai à padaria, compra pão que fica ali e endurece sem ser comido. No dia seguinte murmura: vai virar torradas.

O livro está atrasado. Vamos dar uma arrancada? Dura um segundo e o pensamento atravessa feito raio. Pra que tanta pressa?  Nem tem editora.

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Desliga a TV. Está pegando fogo a cidade, vandalizam as ruas. E daí? Já repetiram isso muitas vezes.  Está assim, já se sabe. Para que essa sede de informação? E Lula vai depor? Não, Moro adiou. Como foi? Jogaram mais uma bomba na França?  Jesus! Quando isso vai parar? E o candidato à presidente da França casou com uma mulher de 64 anos… Ele tem 39. Disso gostou. Parou para ouvir. Então o mundo romântico ainda tem vida inteligente?  Lembrou-se de Edith Piaf e Theo. Os franceses costumam amar mulheres mais velhas. Tem vários exemplos. Melhor mudar pra lá pensou. Gargalhou sozinha.  Sentou e mudou para o canal de música. Música acalma relaxa. Nem sempre. Já começou tocando uma inconveniente. Que lembrava um momento muito bom e distante. Deixou-se ficar ali, na memória, cantando junto. Era de um amor? Mas claro né? Tem sempre um romance escondido nessa cabeça de vento. Sem cura. Na seguinte, quis chorar.  Ah não! Assim não dá. Desliga a música. Chorar às 4 horas da tarde por um amor que já ficou largado lá no tempo muito passado e tomando chá? Espera lá, essa moça tá diferente como diria Chico Buarque. Nem eu conheço mais.

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Ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela..*  Menos, menos.

Essa agonia pela vida diariamente, essa teimosia em carregar o sentimento do mundo, como se fosse acabar amanhã. Talvez hoje, quem sabe? A amiga chama para almoçar, a outra para jantar, tem lançamento de livro, tem tanta coisa que não dá nem tempo de fazer.  Na verdade gosta muito de sair, mas sente saudades de casa. E isso tudo gera culpa ainda por cima.  Anda vagabunda. Melhor fugir. Ir para algum lugar sem interesses ao redor, sem TV, sem telefone… Para conseguir  deter esse furacão que lhe pegou na virada desse mês. Sempre desconfiou que não batia muito bem. Mas estava administrando. De repente, perdeu as rédeas. Então lembra que não tem para onde fugir. Se for vai ficar agoniada querendo voltar. Meu coração selvagem tem pressa de viver.*

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É tanto sentir! Um exagero. O telefone toca. Jurou que não iria atender ninguém, estava tentando salvar o dia. Mas de rabo de olho viu quem era. O amigo que está precisando de um suporte.  Num gesto rápido deslizou o dedo pela tela, não podia ignorar ,era seu maluco de estimação. Virou psicóloga de plantão. Aliás, sempre teve essa mania. E como é intensa, verborrágica e desbocada, acaba falando tudo que lhe passa pela cabeça, sem dar nem tempo de filtrar e numa dessas acaba acertando. No final da conversa com certeza já está ilustrando as coisas com alguns palavrões. Acha mais fácil assim não fica subtendido. Duas horas depois, o amigo está ainda pior, sem respirar, coitado, porque ouviu tudo que precisava ouvir naquele momento de stress enfaticamente e ela estava rouca.   No entanto estava tudo resolvido. Confiante, desliga convencida que ajudou. Não sem antes ouvir: Você é minha âncora! Imagina… Se visse meu estado agora, andando pela casa desorientada, talvez mudasse de porto.

Não satisfeita, inventou uma paixão, por um Turco, e achando pouco alardeou no  facebook. As mulheres ficaram loucas e começaram também a amar o Turco. Que é um Deus. Uma Série, gente um seriado novelesco da  Netflix, que  tinha descoberto. E que tem tudo: romance dos bons, traições, invejas, fofocas, amor impossível, guerra e aquele homem ali no meio que fulmina com o olhar azul, derruba qualquer uma. Tudo falado em turco, com legendas claro. Perdeu muitas noites, obcecada por Seyit e Sura. E pior começou a querer entender a língua. Torcia para acabar.  Precisava dormir mais cedo, talvez para o dia render, e não ficar assim. Pirada pelos cantos. Seria culpa do turco?  Surto é surto.  Kivanc Tatlitug  é o nome desse ator do qual nunca tinha ouvido falar.Ficou fan. Já descobriu outra Série que ele também protagoniza. Nessa faz um  poeta, ator, tuberculoso e  também apaixonado. Essa vai ser dose. Ele está mais jovem e faz um frágil… Preferiu ficar ainda com a magia de Seyit. Por um tempo.

Até o quase namorado já tinha ligado um dia: Quem é esse Turco?

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Meninoo ! Gritou. Tá maluco, leia direito. É uma Série.  Está regulando meu tesão? Que ousadia é essa? Tenho tesão por quem quiser e para sua sorte esse é  por um homem  dentro de uma história. Ficção! Entendeu? Vai ter ciúmes de ficção também?  Desligou irritada.   Não dá certo ter namorado que tenha facebook, pensou em seguida. Acho melhor deletar .Não vai dar certo, esse ainda está com a  cabeça  retardada, conheço bem isso.  Melhor continuar sozinha.  Ou ir morar na França.

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Deus dai-me paciência! Era assim que as mulheres da série falavam quando não estavam aguentando seja lá o que fosse. E passavam a mão pelo rosto todo, como se estivessem lavando.

Pegou-se imitando. Depois de ficar nessa enrolação dia todo, viu que anoitecia. Bebeu mais chá, e resolveu comer o bolo. Foda-se para o engordar. Passaria fome dia seguinte.

Finalmente  o seriado acabou. Naquele dia perdido, perdeu também a noite, mas por uma boa causa. Ficar sonhando acordada com aquele homem irreal. Desligou triste. Era uma despedida.  Concluiu que os grandes e fortes amores são e serão sempre impossíveis. Já tinha provado desse fel. Mas teimava em desconfiar que não fosse sempre assim. Alguns venciam todas as barreiras e atravessavam os desfiladeiros mais sinuosos para um happy-end. Porém esse final lhe deu certeza.Nem em filme minha cara. Nem em filme.

Foi nesse momento que entendeu tudo. Tinha mania de heroína. Esse lado atriz   atrapalhava um pouco. Vivia romanceando até o suco que bebia. E nesse momento estava dentro de um amor impossível, mas tão impossível que dava dó, ou nó. Misturava vida real e ficção.

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Ajeitou os seis travesseiros, que tinha na cama, para jogar tudo no chão na hora de dormir, agarrou o seu preferido, engoliu seu lexotan , ligou o canal a cabo e começou a zapear á procura de um filme ou filmes, pois também tinha essa mania, via vários filmes, aos pedaços, e entendia tudo. Era tão doida que um dia seu antigo marido lhe perguntou: Como você pode entender filmes começados, filmes terminando, no meio, que loucura é isso? Me explica.

É que- respondeu tranquilamente- deles todos, faço apenas um.  Tenho minhas histórias que alinhavo, usando os personagens que mais me tocam.  E convencida continuava. Esse cara, o marido em questão, nunca se conformou.

 

Nessa noite, desse dia perdido, pegou a cena de Perfume de Mulher, a do tango, a emblemática que já tinha visto cem vezes, uma das melhores, que considerava ícone cinematográfico dentre outras, e a mais perfeita atuação, do Al Pacino que cego dançava lindamente imprimindo  incrível sensualidade e delicadeza. Esperava sempre a virada da música, quando aumentava e repetia o tan tan tan gritando e gesticulando dando voltas com o corpo  no compasso.

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Lembrou ainda que Scarlett  O’hara   em  O Vento Levou, era uma impossível  e teve um amor impossível. Elas carregam esse desassossego.

Fechou a mão sobre o travesseiro como se estivesse arrancando o rabanete da cena simbólica, e já misturando com a outra, a cena final, murmurou antes de apagar:

Amanhã será outro dia!

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*Zeca Baleiro

*Belchior

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O CAOS INSTALADO

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Olhando-se no espelho as olheiras confirmavam…  Lá dentro o caos fazia morada. Noite mal dormida.

Uma sensação de vertigem fazia com que ficasse ali parada, procurando um caminho, uma brecha, uma saída.

Escrever estava se tornando um fardo. Nenhuma inspiração ou tantas que se sobrepunham e de repente desapareciam. O que era cura, prazer, virou pesadelo. Por onde começo? Deu curto circuito. Ficava ali olhando as letras que demoravam a formar palavras. E era tudo o que precisava: palavras. Onde teriam naufragado?

No dia a dia de noticias eletrizantes bombásticas, no país que derrete literalmente e nos humilha todo dia com os demônios nos envergonhando, nos achincalhando, donos de um poder que nos causa náuseas e dá corda a bipolaridade geral, uma nau afundando e nós a deriva, perdidos, dragões soltando fogo pelas narinas, com o ódio no leme. Mas não, aqui não quero falar sobre isso. Nesse espaço reina a alma que não aguenta. Os sentimentos mais bonitos é que devem pegar as rédeas. Mas de onde veio esse desanimo?

No coração entupido e devastado por tantas emoções? Na desmotivação que se apresentou de repente? Ou apenas nas lembranças de sentimentos passados? Que estavam ali pedindo licença para entrar, e sem eles ficava vazia. A pele estava com manchas, o sol do qual não abria mão, castigava, a última foto denunciava rugas com as quais nunca se importou. Por que agora lhe causava certo desconforto? A idade? Não, o tempo. A incerteza do quanto mais lhe seria dado. O tempo é apenas um código cifrado. É o vilão .

Vamos reagir? Reconheceu ali uma vontade. Já era alguma coisa. Aprender a viver com o que não veio, o tão pedido e desejado, e ainda ocupava os santos implorando.

Mas era proibido desistir. Progresso. Tenacidade, persistência. Repetia baixinho enquanto ouvia o barulho das mensagens que entravam no seu celular jogado em cima da cama. Nenhuma que fosse a esperada.  Será?  Melhor conferir. Sentia a ausência de alguma coisa que desorganizava e precisava dessa confusão, do tumulto, mas não desse caos apático.  O rebuliço das fortes emoções, pensamentos nada perfeitos, essa energia que destravava. A sensação de festa interior.

Esse era o seu chão. Mas precisava dessa luz interna, que chega e faz com que a musica toque. Sentia-se quase uma espiã. Desejo de ficar ali na toca. Atender telefone queria não. Mas essa fuga era de que ou de quem? Sabia lá… Mas precisava também desse mistério. Dormia, acordava cheia de ideias, esperando as surpresas. Esse signo de fogo adorava uma sofreguidão.

Depois de um tempo qualquer, resolveu olhar lá para fora. O dia estava azul.*

43540131_40_22730908_7856O que é isso criatura? Ouvia o grito do azul. Vai perder isso? Me dê apenas um motivo!

Vamos botar em prática a reação. Arrumar a casa, essa bagunça não combina com você. Lugar de calcinha não é no chão.

sala mom3            Esse apartamento é pequeno para tanta vontade. Tem uma multidão nesse momento pelas ruas cumprindo suas tarefas, andando à toa. Não importa. Estavam vasculhando o mundo. Vá lá se misturar. Organize essa alegria fugidia, esse confinamento. Vai se arrepender quando o sol se por e descobrir que não viu.

Onde colocou o tênis, aquele confortável e bem velho? Na procura, passa pela cozinha e pega mais um café.  Reler esses cadernos em busca dos capítulos do tal livro que por enquanto não passa de desejo foi um erro. O detonador.

mulher-tomando-cafe-pensando-vida-bf-130-7523           Ali entendeu que nada será mais daquele jeito.

Descobriu? Está procurando a felicidade onde não pode mais alcançar? Cravando o punhal no peito ,quer o drama. Que ver o sangue jorrar porque só desse jeito poderá sentir de novo aquilo tudo.

Nas palavras que estão hoje lhe faltando, no amor que de tanto encantamento se afogou, na separação que escolheu, num momento raro de preservação total. Esse está travado, lhe pregou na cruz, tire esses pregos bíblicos e não traga agora à tona esses segredos. São eles que estão causando essa turbulência, neles você ainda não está preparada para mexer. Nada é igual. Nem mesmo você está igual. A que narrou tudo aquilo está igual? A parte mesquinha e canalha foi trabalhada e o resultado foi uma evolução. A parte bonitinha e generosa não é hoje mais evidente? Essa paralisia também não é comum. Daquela do passado ficou o exagero, e as muitas que lhe habitam.

Come pouco, emagrece, engorda, tem insônia, bebe de vez em quando, promete todo dia parar de fumar, acolhe os amigos, ama demais, sofre demais, grita , se empolga, chora por nada. E é esse corpo povoado que traz a fadiga.

O café acabou e tomou uma decisão: vencer a si mesma. E essa é uma guerra de respeito. Só de chicote na mão. Fica com o presente que está vivendo que já é muito.

Achou o tênis? Não faz disso desculpa. Tem um par de havaianas bem ali olhando para você.

11428497_931895343539745_4211758736318914654_nEnquanto se vestia os pensamentos continuavam atropelando: acho que vou morar no mato. Assim morro mais depressa. Não, no mato não, detesto por que não perto do mar? Me deslumbra e morro mais devagar.

No entanto foi a noticia da morte de Ferreira Gullar que salvou. Na televisão ainda ligada repetiam a noticia e sua poesia. Uma parte de mim é permanente, a outra se sabe de repente. A poesia nasce porque a vida é pouca. Está fora do alcance o meu fim… Foi uma pedrada na cabeça embotada.  Bateu a porta e saiu. Percebeu como era divertido viver. Estava ali olhando o céu do Rio de Janeiro, Cristo Redentor sem nuvens. O calor sufocava.

Ao passar pelo jornaleiro gritou: Antônio guarda o meu jornal!

Deu de cara com o mar, e então só lhe restou agradecer… sou uma pessoa privilegiada, tenho aqui bem perto de mim, um festival de  beleza, que me incendeia .Larga o drama, hoje não, tem muita cor essa  manhã, não combina.

Lambuzou-se com um sorvete de maracujá ,  os olhos pregados no infinito.*

10364206_1083281268364558_7698448469823919061_n.jpgLili

Sentia o caos se despedindo.

 

*Quadro Mulher na Janela de Picasso.

*Foto de minha amiga Lilibeth Azevedo gentilmente cedida por ela.

SOBRE O QUERER

15241362_10207581258038766_2793101849259251033_nNão quero mais falar de fundamentalistas, de terroristas, de fanáticos que aterrorizam o mundo com certezas espúrias, dos que antecipam os tempos de medo, dos invisíveis dizimados sem dó nem piedade, dos degolados por bárbaros em frente às câmeras de TV, do mundo com valores invertidos, de religiões que geram atraso, de pessoas que fazem da crueldade seu meio de vida, de canalhas que se vestem de mentiras o tempo todo, de pessoas e mentes tão atrofiadas que acham por bem acreditar, por preguiça de pensar e assim contaminam multidões; de uma humanidade cada dia mais frágil e insolente, e alheia. Dos que se dedicam a teorias de conspiração, dos pais que geram filhos para depois assassinar cruelmente, de mediocridades irritantes, de preconceitos que não se derrubam… Daqueles que julgam o próximo como se fossem deuses puros; de retrocessos na sua história perdida e na história que deixaram de construir por egoísmo, incompetência, prepotência e inveja… Dos acomodados, dos covardes dos que ficam em cima do muro, os que não honram a vida como presente, dos que desprezam uma dádiva chamada sentimento.  Dos sem tolerância e dos que toleram demais por inércia, dos que não têm, dos que fingem ter, dos que ridicularizam quem tem.

Transformaram o coração em ferro, pedra, lixo descartável.

Cansada de discordar, também não concordo. Fico assim, um vulcão prestes a explodir, mas que explode no meio do meu coração, das minhas entranhas, das minhas tripas, no meu cérebro que procura diariamente acordos para manter a sanidade.

Isso tudo Não Quero!       Quero ir seguindo o que me resta de amanhecer, quero anoitecer sem culpa, com a cabeça deitada no meu travesseiro ortopédico para salvar o pescoço, com a consciência leve.

Quero acordar e me achar bonita mesmo que enxergue rugas. Quero ter lindas viagens dentro de mim, fazendo uma ciranda com os que amo.crie-lacos-com-as-pessoas

Quero os meus prazeres, todos os que meus desejos apontar. Quero limites, respeito, me encantar com poesias músicas e pessoas do bem. Quero me surpreender com admiração pelos que estão em sintonia com os valores que somam.

Quero enxergar e conseguir sentimentos delicados que embelezam e amenizam o insuportável para mim.

Quero os diferentes que se levantam todo dia com vontade de transformar. Qualquer detalhe… Os desarmados, os que perdoam e são perdoados, não por cansaço, mas por merecimento. Quero um amigo que perceba, porque simplesmente está atento.

Quero os que não humilham, porque essa é uma atitude desprezível. Todo ser humano merece respeito.

Quero os que saibam as diferenças, os que promovam mudanças, os que possuem o mesmo olhar, o mais lindo de todos que é o da Generosidade.

Quero um mundo onde esses se encontrem e se reconheçam.

Talvez esses meus quereres sejam utópicos, mas são os que habitam em mim.

Quando o coração transborda a língua fala. Quixotescamente me divido em total inquietação.

“Mudar o mundo meu amigo Sancho, não é Loucura, não é Utopia, é Justiça”. 

*camiseta-estampa-dom-quixote-e-sancho-panca-D_NQ_NP_11761-MLB20049227914_022014-OCervantes.

 

MANIA DE CASAR

                                                         

Manias são manias…  Não se explica.  Uma das minhas é casar.

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Não perguntem por que. Não encontrei resposta até hoje.  Seguia a vida me apaixonando e achando que valia a pena dividir o pão nosso de cada dia, o colchão da cama king -size, a casa florida, o drinque da noite, as ideias compartilhadas na intimidade total, a cumplicidade, a preguiça matinal e a delicia de encontrar logo ali, bem do lado um gostoso bom dia. Muitas vezes, um sexo revigorante antes do café da manhã. Antes da praia, antes do trabalho nada deixa uma pessoa mais motivada. O dia nasce mesmo feliz.    E todos os meus maridos foram devidamente amados e me amaram muito bem.  Até o dia que o cotidiano ou o ciúme ia arruinando os momentos.  O casamento, ou qualquer relação não vem com anulação de vida própria, de liberdade, de abrir mão de ser quem você é.  Aí é que pega. Ou se garante e segura seu homem sem ataques constantes, ou dança.   Serve para os dois lados. Cuidar. Palavra chave. Bom humor, sorrir junto, ter prazer na volta para casa. Iluminar cada dia mesmo os mais sombrios, com atitudes e palavras doces. Um quebra pau está inserido vez em quando e se necessário. Faz parte de qualquer proximidade maior. Brigamos com os amigos, a família, discordamos ninguém é vaca de presépio. Mas tente-se manter o limite. Qualquer ultrapassagem é a ruína.  As palavras duras e cruéis ficam. Não se pode retira-las. Vai se formando o famoso pote de mágoas. Que um dia explode. Inimigos já temos ao redor, não precisamos dormir com eles.noivos-melhor-lista

Mas confesso que já dormi. Equívocos também não estão descartados. E dentro de um casamento, fica mais difícil resolver. Sempre soube disso, mas não hesitava em casar. Queria essa emoção que concordem é grande. Casei todas as vezes que achava o homem sem o qual pensava que não poderia sobreviver. É sempre assim. A gente pensa que dessa vez será para sempre.

Casei e descasei seis vezes, se está mesmo certa essa conta. Nunca fui santa e entre gueixa e guerrilheira concordo que não era fácil para eles. Minha intensidade era complicada, acompanhar minhas invenções, minha sede de vida, minhas indagações, uma roda contínua de alegria que os deixava tontos. Mas ser infeliz nunca esteve na minha dieta.

Então, era assim: estou infeliz, não fico. Arrumavam-se as malas e com aviso prévio, sempre dei aviso prévio, era justo, porém no dia do basta eu decidia.  Era chegada a hora de mais uma partida.basggg

Tive todas as personalidades. O chique colecionador, o lorde socialite, o publicitário genial, o jogador Bon  vivant, o economista lindíssimo porem bipolar, e o publicitário romântico por excelência. Não nessa ordem. Então tem uma preferência aí notaram? Dois economistas e dois publicitários. Nenhum ator. Não casei com nenhum ator, fiquei no “quase” com Gláucio Gill que morreu antes de nos casarmos. Mas namorei alguns.  Talvez por ter deixado a carreira cedo, não aconteceu.  Ficaram no palco do romance apenas. Mas como essa memória quase desmemoriada não é uma deleção premiada, para usar a palavra mais recorrente nesse momento, não citarei nomes. Saber amar também é uma forma de arte. É como colocar uma venda e ser levada para um mundo só seu. Onde tudo é perdoado e tudo é permitido. Onde todas as cores têm mais intensidade e todas as palavras ganham muita profundidade.

A gente consegue ficar impermeável, absoluta, única e sente no estomago frios inexplicáveis, no coração a pulsação incontrolável e no corpo o desejo que será sempre maior do que tudo. Maior do que qualquer razão, maior do que o medo que será transformado em um furacão, uma tempestade, um terremoto, uma invasão. O Amor é devastador e nos coloca na lona, no tatame, no limbo, no paraíso, no céu ou no inferno e pior de tudo sem que a gente perceba ou se incomode. Rouba todos os nossos sentidos. É o princípio o meio e o fim. E acreditem, é o único sentimento maior que o ódio. Enquanto vivo vence e seremos vitoriosos.

Uma arma letal. Que sempre foi a que me levou para o altar.

 

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A LIBERDADE DAS PALAVRAS

 

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Me  deixa só… Com minhas fantasias, meus sonhos, meus delírios… me deixa só… Finalmente dando nova forma a meu corpo para que ele acompanhe o tamanho dos meus pensamentos, aqueles que sempre estiveram a salvo de qualquer invasão e que jamais ninguém poderá trancafiar, nem censurar, nem apagar.

Me deixa só para que eu dê passagem a minha inquietação que foi adormecida, que foi adiada e me fazia tanta falta. Para recuperar o olhar, o brilho do sorriso e o tesão na pele.

Me deixa só porque eu preciso libertar as palavras, todas as palavras que me foram cassadas.

Os palavrões, as reticências, exclamações, as letras maiúsculas, as obscenas. Quero abusar!

Finalmente estarão libertas, soltas, preciso ordená-las, ainda não se entendem… Por serem muitas, as cortadas ou cortantes perdidas ainda estranham o motivo porque foram vencidas pelo silêncio. Estão em revolução.

Tenho que ter cuidado, algumas se tornaram perigosas ou mesquinhas. Pratico o exercício da sutileza precisam encontrar o tom.

Me deixa só, porque meus delírios precisam se acomodar me alimentam, me impulsionam e sobrevivo;habitam  tantas dentro de mim que preciso me organizar, para não mais  as perder.

Nas palavras vou tecendo meus sonhos e vou carregando-os na bolsa, no bolso, na rua, no metrô, na praia, no botequim, na sala, e no elevador.  No travesseiro me dominam e na cama me fascinam.1914069_721300811339792_587561158429800379_n

Mas por favor, mantenha distância… Alcançá-las é tarefa para poucos, só os que possuem no sangue essa mesma cor, esse ritmo, esse furor.

Então agora me ouve… Para de falar… Minha cabeça está povoada não de fantasmas, mas de personagens, procurando sua luz, sua deixa, sua história.

É agora posso revelar: sou atriz! Abri meu baú. Dele tiro panos bordados, tecidos transparentes, fico nua e troco de pele.

Nesse desassossego, vou remendando, construindo aquela que de tanto sentir, foi  ficando sem voz,  mas continuava  mesmo sabendo que não era ouvida.   Foi quando de repente gritou: Foda-se! Fo-da-se!

E foi a palavra que a salvou. Um grito que espantou o medo.  Escapou e somente esse pensamento a libertou, ainda atônita tomou-se de euforia.

Hoje fica olhando para aquela fresta por onde passou e custa a acreditar.

Nela escreve… Palavras, muitas palavras sem censura e acolhida, vive delas.

Sim, essa sou eu povoando meus dias, com histórias que estavam guardadas e com as que ainda estão por acontecer. Todas comigo, sempre estiveram.

Portanto, me deixa só, tenho um encontro marcado… Preciso cuidar do cabelo, da pele, comprar um batom, mudar o esmalte, uma saia rodada, uma blusa colorida, tomar um porre, ouvir uma música, acabar aquele livro, ver um filme, dançar, abraçar um amigo, celebrar com as amigas, acudir quem for preciso, ouvir todos os sons: do mar batendo, das gargalhadas, dos passarinhos cantando, e de uma voz… tenho carência de voz.

Por favor, então entende: me dá sua boca, segura minha mão, não pergunta. Estou em constante movimento, não existe controle, são muitas as circunstâncias, as ideias me  atropelam,  não  existem verdades, somente buscas,me defendo, mas avanço ,  as mudanças doem,mas a gente  veste uma  armadura, cresce,  e a vontade de ser inteira vence. Agora você já sabe, tenho muitas vidas me esperando, não, não pergunta, embarca, estou atrasada.

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PAIXÃO INVENTADA

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Tem pessoas que vivem movidas pela paixão. Talvez uma droga de escolha. Paixão pelo trabalho, por um projeto, por causas, por pessoas, uma pessoa, viagens, pela VIDA

Um excelente aditivo. E se você não tem, está num momento de baixa, Invente! Vale! Vale a pena. Em cima disso, crie se estimule, parta. Essa história de Carolina, já passou… Lembre-se que o tempo é a única coisa que se ganha e se perde todos os dias. Sem retorno. Cura, mas adoece… Se ficar alheio, olhando um vazio, sem provocar mudanças… Seja proativa e crie seus desafios. Para enfrentar claro. Acorde acreditando e durma de alma lavada. Elimine o que lhe incomoda.

Não é fácil? Mas quem disse que seria? Porem se aquela pedrinha continua ali no sapato, machucando, mesmo que seja um Louboutin, descalce e esqueça o preço que pagou. Ponha uma havaiana, deixa o pé repousar. Ou fique descalça e ache mecanismos para colher mais energia. O meu já disse, é colocar na areia, de preferência da praia, perto do mar sempre me refaço. Algum elemento da natureza será com certeza seu escape. Escale uma montanha, faça uma trilha, pise na grama, ande de bicicleta, monte num cavalo. Olhar voltado para o mundo ao seu redor. Praia, montanha ou fazenda, a escolha é sua. E esse contato é um excelente bálsamo quando a alma grita por calma. Tente, experimente, é tudo de graça. É depois me diga: não voltou nova?

A cabeça… É isso que estou querendo dizer… Aí é que começa tudo. Portanto, jogue seu coração, mas preserve o impulso- e esse é sua cabeça que aciona.

Preste atenção as suas intuições, mesmo que elas naquele momento sejam contra o que você está sonhando. E nós mulheres, somos sim presenteadas com a famosa intuição. Não passe batido, vai se arrepender depois. E por mais errada que ela possa estar (a intuição) você, se não a descartar ganha. No minimo vai separar seu joio do trigo. Lembre-se que vazia, inventou uma história para viver… Aquela paixão. Um dia dará certo. Tentativas, SEMPRE! Portanto se esse projeto era fruto de uma aflição, aborte. Seja criativa, invente outro.

Mas pera lá… Calma, não se assuste, nem todo mundo pode ficar o tempo todo ligada numa tomada de 220 volts.Tem o dia do NÃO. Chamo assim aquele dia que você acorda com vontade de fazer NADA. Porque tudo deu errado. Permita-se. Durma até tarde, fique jogada numa poltrona lendo seus livros já lidos, vendo seus filmes já vistos, e guarde o relógio. Sabe aquele dia que você não tem vontade de falar com ninguém? Nem com sua melhor amiga? Não fale. Fique com você, faxina mental, faxina na casa também ajuda.

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Arrume suas gavetas, releia antigas cartas, veja fotos há muito guardadas, releia cartas de amor, se as tiver guardado. Tomara que sim.. Caíram em desuso mas como dizia o poeta… “todas as cartas de amor são ridículas”… E você vai se sentir ridícula. Existe um delay… Entre o que se escreveu e o momento depois.Mas no dia do “NÃO” você também pode escolher sair. Uma sessão da tarde, ver aquele filme que andava programando há tanto tempo num cinema vazio. Um saco de pipoca, uma Coca-Cola… O que? Coca-Cola faz mal? Deixa de ser chata menina! No dia do NÃO pode, pode tudo!E de quebra um chocolate na bolsa.

Pronto! Vai sair cheia de sonhos na cabeça, analisando o filme sozinha.

Talvez tenha mudado naquele momento alguma coisa lá dentro de você. Cinema. Magia. E quem sabe, surja aquela certeza pela paixão buscada? É assim, a vida se faz assim. Sobrevivendo a cada dia.

 

Evite o drama vai por mim, melhor sempre ficar com a piada. Bom humor faz bem a pele.

Mas… Se o drama for inevitável, caia dentro.

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Tá doendo muito? Grite! Se descabele, chore, beba um whisky, uma caipirinha, fume um cigarro, xingue!

Tem que ter o clima “noir”. E se não bastar mande pra puta que pariu; um foda-se bem dito para alguém, com todas as letras e de preferência alto.

FO-DA-SE! Ai que alivio

Mas eu estava falando mesmo de que? Ah! Paixões inventadas.

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Então, já caminhei na praia, já andei de bike

e, escalei uma montanha, dei a volta na Lagoa, acenei para o “CARA” ( O Cristo  Redentor meu amigo)meditei, refleti, fui ao cinema, comi pipoca. Voltei pra casa, sentei, escrevi um bocado, ouvi uma música escolhida a dedo. Qual foi? Conto não. Até porque são muitas. Sou movida. Já arrumei as gavetas, reli os escritos, viajei até aquela paixão antiga. Ah tá! Tem razão, fui olhar seu retrato. Era mesmo lindo .Abri uma garrafa de vinho, vou fumar um cigarro normal, maconha não, não faz minha cabeça.E essa música… Doendo assim… Filho da puta devolve meu sonho!

Já criei asas de novo, pronta para levantar um novo voo. Inventar outra paixão novinha, que vai acordar comigo no dia do SIM.

Feche os olhos e busque aquela emoção perdida. Sabe onde está? Lá dentro de sua cabeça. Porque na boca estará seu coração.

 

 

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ORGASMOS MÚLTIPLOS

 

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ORGASMOS MULTIPLOS

Existe uma enorme discussão a respeito desse tema. Estudo, teses, analise e censos. Orgasmo, orgasmo  clintoniano  e inventaram o tal ponto G.

As mulheres se preocupam, algumas se frustram,  desesperam. Todas querem atingir, claro.

A porcentagem concluída nos relatórios diversos, de médicos, sexólogos e afins é grande. Assim as que não  gozam dentro daquele estudo publicado ficam infelizes, desanimadas, amargas, frustradas.

Ok. Vamos falar abertamente sobre isso? Os homens não são questionados, já que  o orgasmo deles é evidente. Ou não. Caso encerrado.

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Então mulher, pare de procurar o ponto G. No máximo use essa  expressão para fazer seu homem feliz:

Você atingiu meu ponto G. Nossa, vai deixar ele sem dormir e  dar assunto para seu próximo encontro com os amigos numa mesa de bar.

O ponto G vou lhes revelar: está na cabeça. Se ele chegou até lá, é vencedor e merece ouvir a frase.

Todas nós temos orgasmos…. Todas, faço uma ressalva, que  não separam o sexo de outros sentimentos, que não o rotulam preconceituosamente. Tá na pele, na nuca, na boca, no olhar. Tá naquela mão que sabe pegar, naquela decisão que ousou. Nas atitudes, na sensibilidade, no tesão de viver. Numa palavra dita, no brilho de um sorriso, numa troca que lhe fascinou.  Na rapidez de um homem encantador…. Na inteligência, na resposta certa, na disposição e interesse de conquistar.

Tudo isso já aconteceu antes de chegar até a cama. Lá deixe por conta do desejo… Ah sim esse é o importante detonador. Relaxe. Se  ele errar, ensine o caminho. Diga para ele como é seu jeito de chegar.

Descubra os pontos dele… Ele também tem  escondido, seu ponto G que precisa ser estimulado. Fantasia, carinho,  romance. Naquele momento, deve se sentir especial…. Único, ardentemente desejado. Mentiras sinceras também valem. E principalmente, uma mulher com muita vontade de ser possuída naquele momento. Nada mais erótico que a entrega. Sexo é para dois. E quando está em questão, não vejo nenhuma complicação. É tesão, cheiro, toques e gosto. Doce ou salgado, de suor, de perfume,  de viagem. Uma enzima que o corpo produz, a alma recebe ,a tentação dá conta.

Sem  discursos moralistas,  sem cobranças.

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Apenas um curto circuito difícil de evitar. Simples assim.

Um coração disparado, um abandono e uma emoção tão intensa que todo mundo precisa e deve ter.

Ninguém nasce incapacitado para o amor. E não acredito que alguém consiga  passar batido.

É tão importante quanto comer, beber água, respirar. É transformador.  Uma das melhores coisas do mundo. SEXO…. Simmm!Tão bom quanto um sorvete de mangaba, uma tapioca bem quentinha,  dar um mergulho no mar,   um filme bom, um livro fascinante, ver a Torre Eiffel   pela primeira vez, beijo na boca no escuro do cinema,   entrar em Veneza  e chorar ao avistar a piazza San Marco, ouvir aquela voz bem de perto, muito perto, ao alcance de sua mão murmurando palavras cheias de faíscas obscenas.

Faça você sua lista. Esqueçam todas as estatísticas e se você tiver um orgasmo do jeito que for, fique feliz. O homem com quem você estiver na cama, vai esperar de você calor, uma fêmea  no êxtase, sensual, arrepiante, um misto de cio e ternura.  Um golpe quase fatal. Depois dessa confusão  surreal  e indescritível escolha  aonde buscar seu orgasmo. Porque ele minha amiga, já gozou mil vezes sentindo-se único.